Manifestação em São José reúne cerca de 300 pessoas

Dia nacional de lutas reafirma compromisso dos sindicatos com a classe trabalhadora

Manifestação em São José reúne cerca de 300 pessoas

Por Shirley Marciano

No dia 11 de julho, “Dia Nacional de Lutas”,  as principais centrais sindicais chegaram divididas com relação ao apoio à agenda do governo Dilma Rousseff.  Os trabalhadores fizeram uma série de reuniões para definir uma pauta comum de reivindicações, mas temas sensíveis ao governo federal, como o plebiscito e o combate à inflação, dividiram os líderes sindicais.

A falta de consenso resultou na inclusão somente de assuntos de interesse direto dos trabalhadores, como a redução da jornada, o fim do fator previdenciário e ainda o combate à terceirização dos postos de trabalho.

A Central Única dos Trabalhadores - CUT pleiteou apoio das demais centrais à consulta popular para uma reforma política, mas sindicalistas ligados à Força Sindical e à CSP - Conlutas vetaram a ideia. No entanto, a CUT levou a proposta isoladamente, assim como as duas centrais fizeram, ao defenderem assuntos como combate à inflação e a mudança na equipe econômica. 

Sem grandes impactos, a manifestação dos sindicalistas, ocorrida logo após uma série de protestos originados da bandeira do passe livre, foi bem pacífica na maior parte do Brasil. 
Sindicalistas ouvidos pelo SindCT, principalmente àqueles contrários ao governo federal, reconhecem que houve um ambiente favorável para expor sua pautas, mas negam qualquer forma de oportunismo. 

“O trabalhador brasileiro melhorou de vida, mas da porta de sua casa para dentro. Da porta para fora, continua pagando um preço proibitivo para o transporte coletivo, que é considerado precário.  Queremos que o governo sente conosco e negocie. De nada adianta ter ganhos salariais acima da inflação, como obtivemos nos últimos anos, se esse dinheiro é sugado pelo aumento do plano de saúde privado, que o trabalhador precisa contratar porque não pode contar com a saúde pública”, afirma Vagner Freitas, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior entidade sindical do Brasil.

Ele evitou fazer críticas diretas à presidente Dilma Rousseff, mas afirmou que a manifestação não é partidária e que não querem derrubar a presidente, apenas esperam que esse governo realize as transformações sociais para as quais foi eleito.
Em São José dos Campos, houve algumas paralisações em empresas, como na General Motors - GM apenas pela da manhã, causando congestionamento na via Dutra por cerca de 2 horas. O comércio abriu normalmente e tudo funcionou sem maiores problemas. Durante a tarde, cerca de 300 sindicalistas e simpatizantes fizeram uma passeata pelo centro da cidade até o Paço Municipal, embalados por gritos de ordem, bem característicos do movimento sindical. 

Participaram diversos sindicatos, como os Metalúrgicos, Servidores Municipais, SEAAC, Condutores, Jornalistas, Bancários, SindSaúde e outros. Também foi possível perceber que não havia consenso quanto a pauta na cidade: era uma torre de babel. Todos dividiam o mesmo microfone durante o percurso. Hora o cutista SindServ defendia o governo, hora o SindMetal, ligado ao Conlutas, acusava o governo. Apesar disto, tudo aconteceu num clima bastante amistoso e cordial.

“O Dia 11 relembrou momentos históricos de conquistas da classe trabalhadora. Reativar essas lutas é garantir que é possível avançar, respeitando os direitos e proporcionando qualidade de vida a todos”, explica Zelita Ramos,  diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de São José dos Campos.

Luiz Elias Barbosa, diretor do sindicato nacional SindCT, avalia de forma positiva este ato e reafirma  a importância das entidades sindicais para manutenção de direitos e também para a busca de melhorias de salário e condições para todos os trabalhadores do Brasil.

 

 

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