Programa anti-drogas da PMSJC integra secretarias em prol de soluções

São José ganha novo fôlego para combater às drogas com projeto inovador

Programa anti-drogas da PMSJC integra secretarias em prol de soluções

Por Shirley Marciano

A questão das drogas é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade moderna. Com o surgimento do crack, subproduto da cocaína, a questão se agravou ainda mais porque evidenciou a degradação e o flagelo humano, observado com o surgimento das chamadas cracolândias. 

Neste sentido,   a questão das drogas tornou-se um debate prioritário e urgente em todo o país para a busca de caminhos para solucionar a questão, pois, além da dependência, há várias outras  consequências associadas, como por exemplo, o crime.

A questão não afeta somente os usuários diretos, mas também as suas famílias.  “Aqui em casa a gente tranca tudo nos quartos porque se deixar os objetos na área comum, certamente ele vai vender. Já atendi várias vezes traficantes no meu portão, inclusive já tive que pagar dívida de drogas para poupar a vida de meu filho. É uma situação muito difícil e a gente não sabe o que fazer, explica a dona de casa L.S.R., moradora da região leste.

A mãe não sabe ao certo  quais são as drogas que ele consome, pois quase sempre ele se nega a qualquer tipo de diálogo relacionado ao assunto. “Quando eu o vi cheirando cola em um saquinho de leite foi um choque, porque já tinha visto na televisão e sabia o que era. Foi uma tristeza sem fim”. De acordo com ela, as descobertas foram se dando aos poucos. Depois da cola, achou maconha na gaveta de roupas, a cachaça guardada em garrafa de refrigerante pequeno de plástico dentro do armário e, por último, o cachimbo do crack.

A reportagem visitou uma cracolândia em frente ao Pinheirinho, na zona sul de São José para conversar com alguns dos usuários. Contudo, não foi possível concluir a entrevista, porque estavam sem condições de estabelecer um diálogo, justamente por estarem sob o efeito do crack. É uma cena absolutamente chocante, pois notadamente ficam em estado de debilidade física e mental, muito magros e falando coisas sem sentido. Instalados em barracas ou embaixo de lençóis, consomem o crack o dia inteiro. São cenas fortes, mas que se repetem em vários locais da cidade de São José dos Campos.

Os dilemas são muitos e a sociedade clama por alguma solução:
Como evitar que os jovens ou mesmo adultos comecem a usar drogas? 
De que forma abordar e onde tratar os dependentes, respeitando cada estágio do vício? 
E a família que também vive o drama, que papel ela terá nesse processo? 
E depois do tratamento, como devolvê-los à sociedade? 
Como evitar a facilidade da venda das drogas?

“Esse projeto, ao invés de perseguir ou apontar dedos, ele acolhe e estende as mãos” (Franklin Maciel)

A Secretaria de Promoção da Cidadania da Prefeitura de São José dos Campos, através da Divisão de Vulnerabilidade, lançou no dia 29 de abril o Programa Municipal de Atenção às Drogas – VemSer. Trata-se de um conjunto de ações intersecretarias, articuladas entre os poderes executivo, legislativo e judiciário, juntamente com os órgãos estaduais e federais, e entidades ligadas à questão da drogadição. 
O objetivo do programa é criar condições necessárias, por meio de um conjunto de ações para que os cidadãos tenham acesso a um tratamento eficiente e digno em relação aos problemas com drogadição, e também estejam protegidos de seus efeitos sociais indesejados. 

As ações são divididas em quatro eixos de atuação que interagem permanentemente entre si:
Prevenir – Ações que buscam orientar, capacitar e fortalecer fatores de proteção, a fim de evitar o ingresso ao consumo e/ou reduzir danos aos que já sofrem as consequências do uso.
Cuidar – Ações que ofereçam tratamento adequado e especializado a dependentes químicos e codependentes, assim como suporte social a dependentes e aos familiares. 
Inserir – Ações que visam a constituir, em sintonia com o processo de recuperação e tratamento, a construção de novos projetos de vida por meio de qualificação profissional e a reinserção ao mercado de trabalho.
Coibir – Ações que visam a coibir a comercialização ilegal de drogas lícitas, garantindo a segurança preventiva e a ocupação de espaços públicos como prevenção ao uso e abuso de drogas.

Para entender melhor, conversamos com o chefe da Divisão de Vulnerabilidade, Franklin Maciel:
Jornal do SindCT  – O projeto é constituído por ações conjuntas com várias secretarias. Há risco de perder o controle, até mesmo pela questão do comprometimento? 
Não há risco porque cada área terá uma função definida, cabendo o controle e a gestão à Secretaria de Promoção da Cidadania, através da Divisão de Vulnerabilidade. Por exemplo, a Secretaria de Saúde vai cuidar das internações, mas quem vai monitorar se está  dando certo é a Divisão de Vulnerabilidade. Sobre o comprometimento, ressalto que neste caso, tudo depende de como se pactuam os termos.  Portanto, posso afirmar que todos pegaram para si este compromisso, e tenho certeza que estão engajados. 

Jornal SindCT – Qual subprojeto do VemSer que você considera  o carro-chefe? 
Não há como dizer que há apenas um carro-chefe. Existem várias frentes e cada eixo tem o seu subprojeto principal.  Por exemplo, no  eixo Prevenção tem o “VemSendo”, que é muito amplo e vai capacitar os núcleos dentro das escolas para desenvolver internamente entre os pares. Ou seja, ao invés de você desenvolver aquela metodologia  de dentro para fora, que a cada cinco meses manda-se um palestrante, você agiliza o processo, estabelecendo um aprendizado de aluno para o próprio aluno e de professor para professor durante a dinâmica da vida escolar.  É claro que a gente encaminha algumas tarefas, mas são sempre de forma elástica, de forma que se adaptem à  realidade local.  É um processo de construção de projeto de vida , que forma  núcleos de liderança para que as pessoas possam se referenciar e gerar multiplicadores. 

Jornal SindCT – Quais as diferenças do projeto do governo anterior com  o da atual no seu ponto de vista?
No governo anterior havia um programa, baseado em propaganda, repressão e alguns  específicos como água na balada. O programa de atenção às drogas -  VemSer, além de ser totalmente integrado, organicamente falando, ele tem uma visão de resgate, de colocar o Estado a serviço da sociedade, de não desistir das pessoas. Esse projeto, ao invés de perseguir ou apontar dedos, acolhe e estende as mãos

 

 

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