Sem concurso, carreira está à beira de um colapso

NOVAS CONTRATAÇÕES: carreira de C&T precisa de investimentos em pessoal

Sem concurso, carreira está à beira de um colapso

Por Fernanda Soares

O  Fórum Nacional das Entidades Sindicais da Carreira de Ciência e Tecnologia foi convidado para participar de debate promovido pela Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação. Ivanil Elisiário Barbosa, presidente do SindCT e secretário executivo do Fórum de C&T, representou os servidores da carreira.

O debate foi realizado em 16 de março na Câmara dos Deputados, em Brasília. Ivanil realizou uma apresentação de 30 minutos, muito bem recebida pelos parlamentares participantes.
O presidente do SindCT informou que as instituições de pesquisa brasileiras correm o risco de não ter mais condições de funcionar nos próximos anos devido a falta de pessoal especializado. “Pelo menos 50% dos servidores da carreira, já defasada em questão pessoal, têm mais de 50 anos e estão próximos da aposentadoria”, afirmou.

Crítica
Ivanil criticou a falta de recomposição da mão de obra, a escassez dos concursos e, quando da realização de concursos, do número insuficiente de vagas para recomposição de pessoal. Prática comum no serviço público é aguardar a abertura de vaga com a saída do servidor (seja por aposentadoria ou atraído por uma carreira com melhor remuneração) para, com défict de pessoal, abrir concurso. Essa postura impede que os novos servidores contratados tenham contato com os mais antigos e não há, desse modo, a transmissão de conhecimento, inviabilizando a continuidade das pesquisas em andamento.
De acordo com Ivanil, os institutos de C&T estão a ponto de sofrer um colapso, incapazes de evitar décadas de retrocesso pela impossibilidade de contratação e formação de novas gerações de profissionais.

Dados
O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA foi citado como exemplo por Ivanil: “O departamento tinha 2.020 servidores em 2011. Em 2020, a previsão é que sejam apenas 890. O quadro de pessoal poderá ser reduzido em 44%”.

O Instituto de Pesquisas Espaciais – Inpe também foi citado como exemplo. Recentemente, o Tribunal de Contas da União auditou o Inpe  pelo excesso de contratações temporárias. 
“A situação está obrigando o Ministério do Planejamento a fazer novas contratações para o órgão”, disse. O TCU alertou para o envelhecimento da força de trabalho do Inpe e o risco de extinção de competências técnicas nos próximos anos. Até 2016, metade dos servidores estará em condições plenas de se aposentar.

No Instituto de Pesquisas Nucleares – Ipen a situação não é diferente. Atendendo à demanda de 335 hospitais e clínicas em todo o território nacional, o Ipen perdeu 311 profissionais nos últimos 19 anos, o equivalente a 29% do quadro, e a queda no número de servidores deve se acentuar, devido ao alto número de pessoas que vão se aposentar compulsoriamente, por terem mais de 70 anos.

Já o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - Inpa, cuja finalidade é realizar o estudo científico do meio físico e das condições de vida da região amazônica, tendo em vista o bem estar humano e os reclamos da cultura, da economia e da segurança nacional, conseguiu realizar 111 contratações, porém com 179 saídas de servidores.

A renovação não supre a demanda de novos projetos aportados, ou a potencial expansão das atividades, um dos objetivos do Inpa. 

Solução
A solução para o possível colapso dos instituitos existe e está nas mãos do governo. Basta vontade política do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Os institutos da carreira de C&T necessitam de abertura de concurso público para a contratação de novos servidores com urgência!

 

 

Compartilhe
Share this

testando