Câmara de São Paulo homenageia Rota

ATAQUE aos direitos humanos

Câmara de São Paulo homenageia Rota

Por Fernanda Soares

A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou a concessão da Salva de Prata — homenagem da Casa cedida em sessão solene pelos relevantes serviços prestados a sociedade — ao batalhão das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar - Rota. O projeto de autoria do vereador Telhada (PSDB) causou revolta na população, principalmente a pessoas ligadas a entidades de direitos humanos.

Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, conhecido como Coronel Telhada, ex-comandante da Rota, justifica a homenagem pela atuação do batalhão em “campanhas de guerra” durante a ditadura e por “sufocar a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca” .

A Rota é famosa por cometer excessos. Em maio de 2012, os policiais desse grupo especial mataram 45% mais entre janeiro e maio do que o mesmo período em 2011.

De acordo com o levanmento realizado pela Corregedoria da Polícia Militar, quando a comparação é feita com o mesmo período de 2010, o aumento é ainda maior: 104,5%.
Carlos Lungarzo, professor da Unicamp e membro da Anistia Internacional, afirma que a Câmara de São Paulo está homenageando terroristas de Estado. “O que você acharia se soubesse que a Câmara de vereadores de Munique entregaria uma condecoração ao setor local da Gestapo (Polícia de Estado na Alemanha Nazista) por ter perseguido o movimento A Rosa Branca, que tentou, bravamente, acabar com o governo de Hitler? Pensaríamos que é brincadeira da mídia ou que a crise europeia é total e estamos na beira de uma nova Guerra Mundial.”

A homenagem foi questionada pela vereadora Juliana Cardoso (PT) na reinstalação da Comissão da Verdade  da Câmara Municipal, que leva o nome de Vladimir Herzog, jornalista assassinado em 1975 nas dependências do DOI-Codi.

Em entrevista para o site Viomundo, a vereadora declarou: “as ações da Rota ocorridas durante a ditadura ferem os direitos humanos e não queremos esse tipo de postura na sociedade.  Além disso, seria um desrespeito completo com as famílias das vítimas.”
“Fiquei espantada quando soube do projeto de homenagear a Rota. Trata-se de um projeto fora de propósito”, continua Juliana. “No momento em que pelo Brasil afora as Comissões da Verdade buscam elucidar acontecimentos nebulosos da época da ditadura e o Estado brasileiro se desculpa pelas atrocidades cometidas naquele período da nossa história, essa homenagem vai na contramão.”

Na visão da presidenta do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Rose Nogueira, a proposta de Telhada caminha contra a história brasileira. “Em um momento em que se faz a Comissão da Verdade para recompor a história, o que ele quer é que se continue contando uma história de mentirinha. Me deixa perplexa que ele represente o PSDB. Quero saber se Fernando Henrique pensa isso”, afirma. “As pessoas que se levantaram contra a ditadura exerceram o direito à resistência. Tem-se o direito de se rebelar contra a tirania. A ditadura que era ilegítima, e não nós. Se ele quer fazer parte da democracia louvando uma ditadura, o que é isso?” 

Diante da polêmica, o vereador Telhada diz que não pretende alterar o texto do projeto e que tem orgulho de defender a Rota.

 

 

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