Precarização no serviço público

PERDAS e ATRASOS: a nova realidade do país

Precarização no serviço público

Nem na Inglaterra, berço do neoliberalismo, fez-se tantas privatizações como no Brasil. Servidores desmoralizados, humilhados e arbitrariamente demitidos retornaram ao serviço através de uma meia anistia, que não lhes dignifica nem lhes restitui o dano. 

Produziu-se um estado anêmico e doente de crônicas endemias. Há trinta anos as escolas públicas eram melhores, somente os estudantes que não conseguiam passar no exame de admissão é que iam para a escola particular. Precarização semelhante está acontecendo agora nas instituições de pesquisa. Décadas de descaso subtraíram orçamentos, projetos e profissionais, tripé de sua sustentação. No passado, quando receberam investimentos adequados, DCTA e Inpe incitaram abundante fomento à atividade industrial. 

Nas duas últimas décadas, perderam a metade dos profissionais, não têm recursos financeiros suficientes e não conseguem conduzir adequadamente os poucos projetos de suas carteiras. À guisa de “melhorar a governança”, busca-se privatizar o desenvolvimento tecnológico, para fugir das amarras dos órgãos de controle ou para defender interesses pessoais. 

O estrago está feito: perdas de capacidades, atrasos acumulados em relação aos status dos programas espaciais de outros países e incapacidade de resposta às necessidades do país. Aí se estampa o desprestígio: o VLS perde espaço para o Cyclone IV e a Visiona projeta sua sombra sobre o Inpe. 

A MECB – Missão Espacial Completa Brasileira, hoje Programa Espacial Brasileiro. não pode terminar assim, na ilusão de iniciativas privadas que não agregam tecnologia, ao contrário, atrasam a conquista de conhecimento, que não é transferido por quem já conquistou.

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