Prefeitura fecha escola beneficente

Sociedade Beneficente São Mateus: o fim de um sonho
Prefeitura fecha escola beneficente

Contrariando a expectativa gerada de que com a entrada do PT na Prefeitura de São José dos Campos seriam solucionados os problemas financeiros que a instituição atravessava, a Sociedade Beneficente São Mateus, que mantinha 88 alunos, foi fechada por determinação da Secretaria Municipal de Educação, com o argumento de que havia vagas nas escolas municipais em bairros adjacentes.

Por Shirley Marciano

A repercussão foi muito negativa na comunidade, pois gerou revolta entre os pais de alunos, já que a entidade proporcionava um ensino de qualidade aos seus filhos, através de um método que também é utilizado na escola Monteiro Lobato, com a qual a entidade mantinha parceria pedagógica.

Na edição n° 20 do Jornal do SindCT foi divulgado o excelente trabalho desenvolvido nessa escola, mas infelizmente uma decisão administrativa ceifou a possibilidade de crianças muito carentes terem um diferencial em seu processo de aprendizado.

A entidade surgiu com o objetivo de cobrir uma deficiência no sistema de ensino municipal porque não há escola no local, e a mais próxima fica no bairro Novo Horizonte ou Bom Retiro. O loteamento Primavera 2 possui mais de 20 anos de existência, mas ainda não foi regularizado pela Prefeitura, tampouco recebeu as melhorias de infraestrutura básica, como asfalto e rede de esgoto.

Entramos em contato com a presidente da Câmara Municipal, Amélia Naomi, e ela imediatamente telefonou e conversou com o presidente da entidade e secretário de Serviços Municipais, Antonio Carlos Nadolny. Ele explicou que a Secretaria de Educação já estava com a decisão tomada, e que não teria mais como mudar.

Para o Secretário de Educação, Célio Chaves, o fechamento da escola foi inevitável porque não haveria como assumir todos os problemas financeiros que a escola acumulara durante anos. Em decorrência da falta de dinheiro, a entidade estava com as documentações da escola pendentes de regularização, o que a impedia de receber doações e ajudas formais, complicando ainda mais a sua situação.

Por tudo isso, a escola já foi fechada e as crianças transferidas para a rede municipal. Somente mantiveram os funcionários por questão de cumprimento das leis trabalhistas.

Entenda o caso
A entidade foi fundada em 2002, pelo empresário Antonio Carlos Nadolny, da empresa Barão Engenharia. Ele decidiu criar a entidade quando conheceu o bairro por meio de sua funcionária doméstica.

A ideia inicial era atender cerca de dez crianças. Então, comprou um terreno e foi construindo. Quando já estava praticamente pronto, ficou sabendo que era possível fazer parceria com a Secretaria de Educação da Prefeitura, por meio do Centro Comunitário de Convivência Infantil - CECOI. Dessa forma, procurou a Prefeitura e conseguiu firmar o convênio.

Inicialmente, a creche atendia 45 crianças entre 3 e 6 anos de idade, logo depois mais salas ficaram prontas e o atendimento se estendeu para um total de 90 crianças. Foi também criada uma escola e um centro social para atendimento a crianças e adolescentes do ensino fundamental. No centro eram fornecidas 150 refeições noturnas, além do desenvolvimento de um trabalho de alfabetização de adultos.

Entretanto, a escola perdeu o convênio com o CECOI por motivações políticas, segundo fonte que preferiu não se identificar. A questão do processo do Teatro Invertido, assinado pelo empresário, teria sido o fator motivador das retaliações sofridas durante a gestão tucana. A prefeitura simplesmente cortou o benefício, que era repassado para a entidade, deixando descoberta uma ação social que cumpria um papel que deveria ser público.

Diante disso, a situação começou a ficar cada vez mais difícil, porque a Barão Engenharia e seus parceiros não estavam dando conta de pagar funcionários e manter aquele número de crianças na escola e na creche, mas esperavam que com a entrada do novo governo poderiam respirar mais aliviados.

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