Após acordo, situação de funcionários em lay-off ainda é incerta

Após acordo, situação de funcionários em lay-off ainda é incerta
CRISE na GM trabalhadores continuam inseguros

Por Fernanda Soares
GM em São José dos Campos iniciou demissões em 2011, com intuito de fechar parte da montadora na cidade. Após um ano de manifestações e negociações entre sindicato e empresa, acordo é firmado.

Foram nove horas de negociação entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e representantes da GM até que chegaram ao acordo final. A reunião foi realizada no dia 26 de janeiro, data em que terminava o lay-off de 800 trabalhadores da empresa.
O acordo garantiu novos investimentos em parte da montadora até 2017, porém não no setor que a empresa tentou desativar em 2012.

No acordo firmado, a GM garantiu a manutenção de empregos até dezembro de 2013, data em que pretende, finalmente, interromper a produção do veículo Classic na cidade.
Alívio para uns, preocupações para outros. 800 funcionários estavam em lay-off, situação que foi estendida por mais dois meses.

O acordo ainda prevê o pagamento de multa de 3 salários em caso de demissão do funcionário em lay-off, após o encerramento do período estendido.
O acordo assinado com a montadora foi retificado pela categoria em assembleia. Para os trabalhadores afastados, foi realizada um assembleia na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, especialmente para tratar do lay-off.

A assembleia teve a participação de quase 300 funcionários e foi marcada por muito bate boca e empurra-empurra. Trabalhadores insatisfeitos com o resultado do acordo culpavam o Sindicato por uma má negociação.

O presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, conhecido por ‘Macapá’, conseguiu acalmar os presentes e explicar que a situação hoje é a mesma de agosto de 2012: incerteza.
Os diretores afirmaram que o sindicato continuará lutando para que não haja demissões.

Entenda a crise na GM
Outubro de 2011, GM incia a demissão de funcionários lesionados.
Janeiro de 2012 - ocorrem cerca de 10 demissões por dia, do setor que produz o Classic.
Junho de 2012 - montadora aceita negociar com sindicato, após anunciar a demissão de 1940 funcionários. Ainda em junho, GM abre primeiro PDV, com 150 adesões.
Julho de 2012 - É aberto segundo PDV, que atingiu 180 adesões.
Por medo de ocupação durante manifestações, a montadora é esvaziada e fechada (lock-out - “greve dos patrões”).
Após sucessivas manifestações dos funcionários, as negociações com a empresa são retomadas.
Agosto de 2012 - 800 trabalhadores têm suspensão de contrato - lay-off, com data marcada para demissões: 31 de novembro.
Trabalhadores realizam uma série de manifestações, caravanas à Brasília e negociação com montadora é novamente retomada.
Janeiro de 2013 - GM anuncia intenção de deixar a cidade, caso nenhum acordo com o sindicato seja firmado.
26 de janeiro, após 12 reuniões de negociação, GM e sindicato fazem acordo.

Não há crise no setor automotivo
A montadora não pode se apoiar em crise no setor para justificar as demissões que pretende fazerem em São José dos Campos.
Dados estatísticos da Associação Nacional de Veículos Automotores - Anfavea, comprovam o sucessivo aumento de vendas no setor.
O ano de 2013 começou com mais de 300 mil unidades faturadas em 2012. Com o desconto total do IPI, o que estimulou o consumidor a ir às compras, o crescimento em relação a janeiro do ano passado (que tinha sido o melhor da história com 252.692 unidades) foi de 17%.
A GM foi a 3ª colocada no rancking de vendas, com 53.031 veículos, o que representa um aumento de 17,87% em relação a janeiro de 2012.
No anuário publicado pela Anfavea, não há queda do registro de veículos novos desde 2002.

“Já que não há alternativas, temos que aceitar esse acordo. Mas demissões não aceitamos.” - João Maria, funcionário da GM há 30 anos (não faz parte do pessoal que está em lay-off, mas compareceu à assembleia para dar apoio aos colegas).

“O certo seria ter chego a um acordo que todos pudessem voltar ao trabalho. Não concordo com o que está acontecendo hoje. Antes do acordo, não havia tanta participação das pessoas aqui. Eu tenho dois filhos, um de 14 e um de 16 anos, ainda tenho que fazer muito por eles e não posso perder a esperança. Ninguém está seguro.” - Antônio Carlos, trabalha na GM há 23 anos e está em lay-off desde agosto de 2012.

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