Entrevista com Alcemir Palma

Entrevista com Alcemir Palma

FCCR promete mais diálogo e ampliação da participação da comunidade

Por Shirley Marciano
Escolhido pelo prefeito para ocupar o cargo de presidente da Fundação Cultural Cassiano Ricardo – FCCR. Ele disputou a indicação com Georges Assaad e Carlos Eugênio Baklos, todos os três eleitos pelo Conselho Deliberativo.

Ele é sociólogo, formado pela PUC-SP, pós-graduado em Gestão de Projetos Culturais e Organização de Eventos pela ECA/USP. Foi diretor da Fundação Cultural de Jacarehy e do Conselheiro Tutelar em São José (1998- 2001).
Deve administrar a FCCR, nos próximos dois anos, com uma verba de R$ 18,8 milhões, previstas para este ano, devendo zelar por onze espaços culturais, três bibliotecas, um arquivo público, dois museus, um Centro de Estudos Teatrais, um Estúdio de Som, um Galeria de Arte e um teatro.

Jornal do SindCT - Sobre as nomeações do Diretor Administrativo e de Cultura, já tem os nomes?
Alcemir Palma - Nomeei, interinamente, uma pessoa para o cargo de diretor administrativo, com o objetivo de conduzir algumas questões inadiáveis. O diretor de Cultura já está definido e em breve iremos divulgar oficialmente, assim como os demais cargos da FCCR.

Jornal do SindCT - E sobre o Conselho Deliberativo? Existe uma tendência a manter os mesmos 27 representantes?
Alcemir Palma - Vamos enviar os convites para as entidades para escolher o novo conselho. Não tenho como saber se serão as mesmas pessoas porque as entidades indicarão os nomes que melhor lhes convier. As escolhas não dependem de mim, e por essa razão, torna o processo mais democrático, e a FCCR mais transparente na condução de suas atividades.

Jornal do SindCT - O artistas reclamam muito da situação do atual teatro municipal, pela dificuldade de fazer a montagem do cenário das peças, pelo fato do teatro estar em um andar superior. Falam também do problema da dependência do horário do shopping para condução dos trabalhos. Assim, o que a FCCR pretende sobre o caso do teatro que foi construído invertido?
Alcemir Palma - No momento estamos aguardando decisão judicial, mas a ideia é fazer uma adaptação arquitetônica para ser utilizado daquela forma mesmo. Queremos resolver o mais rápido possível porque tem o agravante da urgência, porque pagamos um aluguel caro do atual Teatro Municipal, que fica localizado no Shopping São José, no Centro.

Jornal do SindCT - E o caso do Cineteatro Benedito Alves? Em que situação encontra-se?
Alcemir Palma - Ele já foi devolvido à prefeitura, e está sob nossa responsabilidade. Embora, haja muitas outras demandas urgentes, pretendemos sim retomar suas atividades. Inclusive, eu e prefeito já estamos buscando verbas fora para fazer sua reforma.

Jornal do SindCT - O que você pensa sobre o Fundo Municipal de Arte e Cultura? Pretende implantá-lo para financiar projetos culturais?
Alcemir Palma - No governo anterior havia uma política de culto a uma autossuficiência em diversas áreas, inclusive a de Cultura, ou seja, o governo deixou de pleitear verbas externas, e por essa razão, havia poucos projetos em desenvolvimento. Nós pretendemos aderir ao Sistema Nacional de Cultura, que hoje tem um projeto de lei tramitando no Congresso. Assim, o município que fizer a adesão, estará declarando que criará os seguintes instrumentos para fazer parte desse sistema: um órgão gestor, um conselho de cultura e, finalmente, o tão sonhado fundo.

Jornal do SindCT - Há muita reclamação dos artistas na forma como se conduz a Lei de Incentivo Fiscal Municipal – LIF para projetos culturais. Você pretende mantê-lo como está ou fazer alterações no modelo utilizado?
Alcemir Palma - Em tese a utilização da LIF é boa. A pessoa física ou jurídica interessada em incentivar um projeto cultural pode utilizar 50% do valor do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU ou do Imposto Sobre Serviços - ISS devidos à Prefeitura, e contribuir com outros 20% de recursos próprios. Entretanto, a Lei de Incentivo à Cultura - LIC, modelo utilizado em Jacareí, pode trazer mais benefícios diretos, tanto para quem contribui, quanto para quem recebe. Mas, ainda vou analisar como faremos.

Jornal do SindCT - Qual o modelo de cultura que você vislumbra, e que tipo de gestão será a marca de sua administração?
Alcemir Palma - Acredito em uma gestão integrada com outras secretarias, pois assim poderá gerar mais aproveitamento. Também faremos produção cultural de forma descentraliza por meio dos pontos de cultura.

Jornal do SindCT - Explique melhor como pretende descentralizar as atividades culturais?
Alcemir Palma - Pretendo criar Pontos de Cultura, que são “pinçadas” em grupos culturais que já exercem função artística, sociocultural ou mobilizadora nas comunidades onde já estão inseridos. Depois de selecionados em edital público, recebem verba do MinC durante 3 anos, mais um kit multimídia com ilha de edição, filmadoras e câmeras digitais para registrar e difundir todo o processo. O movimento ganhou força, alastrou-se pelo Brasil e revelou vários “brasis” . Então, hoje entendo como fundamental que façamos parte, e por isso já estamos buscando verbas para essa finalidade.

Compartilhe
Share this

testando