Com mais de 30 anos, principal jornal do Vale entra em crise

Com mais de 30 anos, principal jornal do Vale entra em crise
demissões em massa em São José dos Campos

Por Fernanda Soares
Desde outubro de 2012 os funcionários da empresa Valebravo, responsável pela publicação dos jornais O Vale e Bom Dia, sofrem com atrasos nos pagamentos dos salários e outros direitos trabalhistas.

O 13o salário, que deveria ser pago até 20 de dezembro de 2012, foi programado para julho de 2013. Os salários dos funcionários têm previsão de consecutivos atrasos até, pelo menos, maio.
Funcionários também denunciam que saem de férias e não recebem o pagamento das férias. Também há denúncias de não pagamento de FGTS e INSS.

A Valebravo está instalada em dois endereços. Em um dos endereços funciona o parque gráfico e, no outro, os departamentos de jornalismo, financeiro, administrativo e comercial. Os funcionários denunciaram também que os empregados do setor gráfico estariam com os pagamentos em dia, pois a empresa teria receio de uma greve que pudesse suspender a impressão dos jornais.

Cansados da arbitrariedade da empresa e da falta de cumprimento de cronogramas propostos para pagamentos, os jornalistas, em assembleia no dia 24 de janeiro, aprovaram por unanimidade o “estado de greve”.

A resposta da empresa foi rápida. No mesmo dia os sindicatos que representam os trabalhadores da empresa (Jornalistas, Administrativos, Gráficos, Publicitários e Condutores) foram proibidos de entrar na empresa ou protocolar qualquer documento.

No final de semana que se seguiu, funcionários começaram a receber cartas de demissão em suas casas e foram impedidos de entrar na empresa. Dois diretores do Sindicato dos Jornalistas presenciaram o impedimento a três funcionários (dois jornalistas e um gráfico).

Devido ao ocorrido, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo agendou uma assembleia em frente à Valebravo para o dia 28 de janeiro. No horário marcado, as portas da empresa estavam trancadas com chave e a segurança reforçada.
Além de trancar a empresa, o sindicato recebeu a denúncia de que os funcionários estariam sendo chamados, um a um, para receber o aviso: o funcionário que comparecesse à assembleia seria demitido.

Diante de tanta intransigência da empresa e da falta de negociação, os sindicatos que representam as diferentes categorias se reuniram para uma manifestação em frente a empresa, a qual não pode contar com a participação dos funcionários, pois continuavam sob ameaças de mais demissões.

Jornalistas contam que a manifestação também serviu para que o dono da empresa fosse à redação pela primeira vez conversar com os jornalistas.
A Federação dos Trabalhadores em Comunicações e Publicidade do Estado de São Paulo protocolou uma denúncia no Ministério Público do Trabalho e o Sindicato dos Jornalistas solicitou fiscalização à Delegacia Regional do Trabalho.
A notícia da crise no jornal se espalhou através de redes sociais (Facebook e Twitter), obrigando a direção do jornal a emitir uma nota pública.

A Valebravo nega todas as acusações. Diz que o jornal está passando por uma reestruturação que dá ênfase ao jornal on line.
Veja nota da empresa:
“A Valebravo Editorial S.A. embarca em um processo para remodelar o jornal O Vale frente às mudanças por que passa o mercado de comunicação no Brasil e no mundo e, em especial, para adequar o produto à era digital.

Esta é uma mudança que garante o futuro desse modelo de negócios e que só pode ser atingida com mudanças culturais e estruturais do produto jornal e da empresa. Este jornal mantém seu iel a um jornalismo ético e pautado pela qualidade e credibilidade da informação, e de ampliar seus horizontes rumo às plataformas multimídias, sem esquecer jamais a dimensão insubstituível da palavra escrita. São dois dos compromissos expressos pelo O Vale, em seu Editorial de lançamento, em 4 de abril de 2010, reafirmados por esta empresa todos os dias.”

Monsanto demite 50
O dia 28 de janeiro também foi ruim para o setor químico. Trabalhadores da Monsanto foram surpreendidos por um comunicado referente à rescisão do contrato de trabalho. O comunicado informa que a Eastman Chemical Company resolveu de uma hora para a outra encerrar as atividades de três setores dela dentro da empresa. Apesar de contratados pela Monsanto (poderosa multinacional do transgênico), esses trabalhadores operavam para a Saflex, Flexsys e Therminol (áreas pertencentes a Eastman Chemical).

Aproximadamente 80 trabalhadores exerciam atividades nestes setores. Como não houve comunicação com antecedência à entidade da categoria, o Sindicato vai exigir da Monsanto esclarecimentos e apontar todas as irregularidades deste processo arbitrário de demissões.
O comunicado da Monsanto ainda assediou os trabalhadores para comparecerem a uma reunião em um hotel da cidade munidos da carteira de trabalho.

O Sindicato irá mobilizar os trabalhadores e, se preciso, acionar o Ministério Público do Trabalho para fazer valer a legislação trabalhista, inclusive no que diz respeito à demissões em massa.

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