Por trás das demissões

Defender os empregos na GM é defender São José
Por trás das demissões

Por Antonio Ferreira de Barros

Desde o início do ano, a GM está programando a demissão de 1.840 trabalhadores. Nesse período, o Sindicato dos Metalúrgicos já se reuniu diversas vezes com a montadora para apresentar alternativas que resultem na manutenção dos postos de trabalho.

Infelizmente, temos visto algumas manifestações de descaso com as demissões por parte de alguns empresários. É inacreditável, mas muitos afirmam que os cortes não terão impacto econômico para a cidade.

Ora, demissões não podem ser tratadas como mero fator de mercado. São pessoas que acordam todos os dias para dar duro na linha de produção e garantir o sustento da família. A demissão de 1.840 trabalhadores representará uma tragédia social e uma perda irreparável para nossa cidade. Estudos do Dieese já divulgados mostram que cada funcionário demitido na fábrica resultará em outras sete demissões. Este fato não pode ser desprezado.

Mas para a GM e empresários, nada disso importa. O que conta são os lucros em ascendência. O Sindicato apresentou uma série de propostas que garantiriam os empregos. São propostas viáveis, de fácil implementação.

Já a GM se mantém intransigente. O discurso da empresa é o mesmo: para continuar a ser competitiva, é preciso enxugar a mão de obra. Porém os dados econômicos mostram que ela não está passando por nenhuma dificuldade financeira. Os recordes de vendas comprovam isso.

E tem mais: a GM é uma das maiores importadoras do país. Só em 2011, foram 90 mil veículos trazidos de fora. Se fossem produzidos aqui, garantiriam 3 mil postos de trabalho. Contudo a situação pode ficar ainda pior, caso a montadora produza na Argentina o carro produzido hoje em São José. A política da GM tem sido de aumentar as importações e, com isso, diminuir os postos no Brasil.

Nesta luta pelos empregos, nada é mais radical e desumano do que mandar pra rua centenas de pais de família para aumentar os altos lucros da empresa e ainda considerar que isso é “normal”.
O governo federal tem beneficiado as montadoras com verbas públicas e incentivos fiscais. É preciso que a presidente Dilma crie instrumentos de proteção ao emprego, proibindo as empresas que fazem importação de demitirem seus funcionários.

Antonio Ferreira de Barros é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

Compartilhe
Share this

testando