Linhas insuficientes, poucos veículos e integração parcial

Transporte público é problema crônico em São José
Linhas insuficientes, poucos veículos e integração parcial

A administração da cidade muda, mas o transporte público mantém os mesmos problemas há mais de 15 anos. Usuários reclamam do sistema de integração, da quantidade insuficiente de ônibus em circulação e dos itinerários das linhas.

Por Fernanda Soares

De acordo com o site da Prefeitura Municipal de São José dos Campos, “é de responsabilidade da Prefeitura o gerenciamento, planejamento e a fiscalização do transporte coletivo, alternativo, escolar, de táxi e dos micro-ônibus para pessoas com deficiência. A área de atuação se estende aos veículo de transporte animal e motofrete.”

Atualmente a frota de ônibus na cidade, operada pelas empresas Saens Peña, Expresso Maringá e Julio Simões, possui 383 veículos divididos em 95 linhas para transportar 260 mil passageiros.
O resultado dessa conta é apresentado em ônibus lotados nos horários de entrada e saída de serviço dos trabalhadores. Por consequência, cada vez mais trabalhadores preferem utilizar carros particulares para sua locomoção, aumentando o fluxo de veículos e a emissão de poluentes.

Sem solução para os carros e para os ônibus, o jeito é enfrentar filas e apertos. Paula Salete, moradora do Jardim Uirá, utiliza a linha 209 toda manhã. “Os horários dos ônibus são poucos e o trajeto é muito demorado. Pego o ônibus às 7h10 para chegar no serviço às 8h30. Na volta é ainda pior, já entro no ônibus lotado e ele vai enchendo ainda mais no caminho”.

Luiz Donizetti de Faria trabalha no transporte público em São José e é diretor do Sindicato dos Condutores há 17 anos. Para ele, a super lotação dos ônibus não é novidade. “De super lotação nem falo mais, foi sempre assim. A cidade cresceu, os ônibus encolheram e continua ruim.”

O Sindicato dos Condutores realizou, somente em 2012, cerca de 10 manifestações na cidade, desde paralisações a atos públicos.
Além da campanha salarial, a queixa da categoria é referente aos horários exigidos para cumprir os trajetos e à falta de tempo para refeições.

No caso dos cobradores, as empresas queriam retirar essa função, deixando o serviço a cargo também do motorista.
Além de sobrecarregar o condutor, a nova função atrasaria ainda mais os horários dos ônibus e contrariaria a lei 9.503, que diz: “art. 28. O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito”.

Mesmo assim, o Sindicato dos Condutores precisou entrar num acordo com as empresas no Tribunal de Campinas, liberando algumas linhas sem cobradores. O acordo é válido até dezembro.

A integração
Bem divulgada pela cidade, a integração dos ônibus parece ser um sucesso. Porém, ao contrário do que se diz, a integração é apenas parcial.
As vans que auxiliam o transporte na cidade, não possuem o sistema de bilhetagem eletrônica, ficando, portanto, todas fora da integração.
Usuários também reclamam de ônibus que simplesmente não aceitam o cartão por erro na catraca eletrônica. Em outros casos, a demora no trajeto é tão grande que não há tempo hábil para trocar de ônibus pagando uma única passagem.

O transporte ideal
Durante uma palestra na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, reunião do Rio+20, Enrique Peñalosa, consultor em estratégias urbanas e ex-prefeito de Bogotá, arrancou aplausos da plateia ao encerrar uma palestra dizendo: “uma boa cidade não é aquela onde os pobres andam de carro, mas sim aquela onde até os mais ricos usam o transporte público”.
São José dos Campos, hoje a oitava economia do Estado de São Paulo, caminha na contramão da frase de Peñalosa.

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