NOVA TMI visa mais segurança aos servidores

NOVA TMI visa mais segurança aos servidores

Torre de escape garante fuga rápida em caso de acidentes

A nova Torre Móvel de Integração - TMI, uma estrutura metálica construída sobre trilhos, foi projetada com os mais modernos sistemas de segurança. Possui 33 metros de altura, 12 de comprimento, 10 de largura e pesa 380 toneladas.

Por Fernanda Soares

É chamada móvel, pois, quando a montagem do lançador é concluída, a torre recua 40 metros de distância do veículo a uma velocidade de 4,5 metros/minuto.

No interior da TMI, as plataformas móveis permitem aos servidores trabalharem em segurança, sem a necessidade de estarem amarrados a equipamentos, dando-lhes a mobilidade necessária.

Ao término da montagem do foguete e dos testes, as plataformas são suspensas, liberando a TMI para o recuo.
A nova TMI também já foi projetada para receber novos modelos de lançadores, permitindo alteração no posicionamento dessas plataformas.

A proteção contra descargas elétricas, que antes ficava apenas no foguete, agora alcança todo o complexo (foguete, TMI e túnel de escape) através da Gaiola de Faraday.

De acordo com o Ten. Cel. Eng. César Demétrio dos Santos, diretor interino do Centro de Lançamento de Alcântara - CLA, a TMI possui o que há de mais moderno em tecnologia para sua construção. “Isso não quer dizer que a torre antiga não era segura. Quando foi construída, ela também utilizava equipamentos modernos para a época. Com o passar do tempo, a tecnologia também se desenvolve e hoje podemos dizer que é quase impossível que um acidente como o de 2003 se repita”, explica o Comandante.

Muitos procedimentos foram automatizados, reduzindo o número de pessoas que permanecem dentro da torre.
Como a hipótese de um acidente não pode ser descartada, a TMI ganhou uma Torre de Escape fixa, feita em concreto e posicionada ao lado da plataforma de lançamento. Ela oferece um meio rápido e seguro para os funcionários evacuarem a plataforma se necessário. Com portas antichamas e ar pressurizado, são três as formas de se chegar ao subsolo: através de escadas, escorregando por uma haste como bombeiros, ou através de “meia” (sistema francês que permite rápida evacuação).

Ten. Cel. Alberto fez questão de ressaltar: “a segurança da equipe está em primeiro lugar”.

Falta de recursos atrasa projeto VLS

O primeiro lançamento do VLS na nova TMI, somente com o primeiro e segundo estágios ativos, está previsto apenas para 2013, quase 10 anos após o acidente.
Nestes 10 anos, ao invés de receber novos investimentos para o aprimoramento do projeto, o VLS sofreu constantes cortes de verbas.

A falta de reposição de pessoal, amplamente cobrada pelo SindCT, também foi mencionada pelo gerente do projeto VLS, Ten. Cel. Alberto. “Estamos com problemas em alguns setores porque o pessoal já se aposentou”, afirma.
Os concursos públicos não foram suficientes para repor o quadro técnico do DCTA. Além disso, seria necessária a contratação de novos servidores antes dos atuais saírem, para que houvesse o preparo do pessoal novo e uma troca de conhecimentos.

Sobre as cobranças ao IAE por ainda não ter lançado um VLS, o Ten. Cel. Alberto responde: “um cronograma físico não resiste à falta de recursos.”

Além do corte de verbas, o VLS ainda disputa espaço com o foguete ucraniano, Cyclone 4, que vem demonstrando ter sua viabilidade técnica e econômica questionável.
A Alcantara Cyclone Space - ACS, instalada dentro do CLA, tem consumido recursos que poderiam ser destinados ao VLS e a outros projetos espaciais.

Uma das justificativas apontadas para a criação da ACS seria a transferência de tecnologia para o Brasil. Algo improvável de ocorrer, em primeiro lugar, porque o acordo firmado com a Ucrânia proíbe qualquer tipo de transferência de tecnologia; em segundo lugar, pelo fato do IAE não possuir qualquer participação no projeto.
O Ten. Cel. Demétrio faz uma observação sobre o Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE: “o objetivo do PNAE é ter um centro brasileiro, um satélite e veículo lançador brasileiros e não podemos perder isso de vista”.

Segurança em primeiro lugar
Mantendo o foco na segurança dos servidores, o Ten. Cel. Alberto informa que mais testes serão feitos durante a pré-campanha do VSISNAV, conhecida como MIR – Mock-up para Ensaios de Interface de Redes Elétricas, que acontecerá no começo de 2013.

“Esta Operação está batizada como Operação Santa Bárbara, e será parecida com a Salina, também com motores inertes, porém com outro foco e mais completa. Após todos os testes feitos e o veículo certificado do ponto de vista das redes elétricas e eletrônica embarcada é que será iniciada a Operação VSISNAV, com o foguete operacionalmente completo e motores ativos. Não abrimos mão da segurança.”

Um outro ponto que merece atenção é a manutenção da TMI. Instalada muito próxima ao mar, os equipamentos da torre podem sofrer com a corrosão causada pela maresia.

O CLA deve estar sempre atento à manutenção, principalmente com os componentes mecânicos e elétricos.
Durante a visita ao CLA, os representantes do SindCT puderam verificar que alguns cuidados em relação à manutenção estão sendo tomados.
É de extrema importância que o governo mantenha uma verba regular destinada à verificação dos equipamentos e sua manutenção contínua.
Sem manutenção preventiva, ao longo dos anos todo o investimento realizado será jogado fora.

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