FALTA DE PESSOAL qualificado prejudica atividades no DCTA

FALTA DE PESSOAL qualificado prejudica atividades no DCTA
IFI solicita desacreditação ao Inmetro

A falta de reposição de pessoal obrigou o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial - IFI a solicitar ao Inmetro a desacreditação referente à NBR 15100.
O primeiro órgão do governo a ser acreditado nesta Norma, hoje não possui o mínimo de pessoal necessário para realizar auditorias.

Por Fernanda Soares

O SindCT foi recebido pelo IFI para entender melhor o assunto. Participaram da reunião o Diretor do IFI, Cel. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero, o Vice-Diretor, Ten. Cel. Jaime José Marques Correa, o Chefe da Divisão de Certificação de Sistemas de Gestão, Maj. Esp. Av. Marcelo Augusto Pires Togatlian, o Chefe da Seção de Certificação Aeroespacial da CSG, tecnologista Fernando Amâncio dos Santos, o chefe da Comunicação Social do IFI, Cel. Ricardo Holanda Viana e o diretor do SindCT e servidor do IFI, Mário Afonso Ribeiro do Canto.

Designado pela Agência Espacial Brasileira – AEB para ser a Organização certificadora na área aeroespacial, o IFI solicitou este ano a desacreditação da Norma 15100 ao Inmetro.

Uma equipe de 20 auditores era responsável por toda certificação. A partir de 2003, novas regras foram estabelecidas e capacitar um auditor tem se tornado cada vez mais difícil. Por este motivo, a reposição de pessoal por meio de concursos públicos até hoje não foi suficiente para que o IFI continue prestando esse serviço.

O Diretor do IFI, Cel Otero, explica que “o DCTA está sofrendo de um envelhecimento do quadro de pessoal. A maioria dos servidores já tem mais de 50 anos e está próxima de sua aposentadoria.” “Ao longo do tempo estamos encolhendo. Se perdemos 20 servidores, contratam 10. Também não temos ninguém para colocar ao lado de um especialista para aprender”, completa o Vice-Diretor Ten Cel Marques.

A aposentadoria não é a única causa da evasão do instituto. O diretor do IFI aponta também os salários da carreira de C&T: “muitos servidores prestam concursos para órgãos com salários melhores”.
Nos últimos anos houve aumento da demanda para a certificação da NBR 15100 e, ao mesmo tempo, o IFI foi perdendo a capacidade de atender às novas regras impostas aos órgãos certificadores. Toda essa preocupação é comprovada em números.

Em apenas seis meses o IFI perdeu 14 servidores. Entre os auditores da Norma NBR 15100, a equipe de 20 foi reduzida para seis, sendo que um destes auditores irá se aposentar ainda este ano.
Engana-se quem pensa que a solução estaria apenas na contratação de mais servidores para renovar e aumentar a equipe, voltando o IFI a ter condições de ser uma organização certificadora da NBR 15100.

As exigências para a formação de um auditor qualificado para esta Norma demoram em torno de oito anos, isso se o servidor conseguir aprovação na prova realizada. As provas aplicadas pelo International Aerospace Quality Group - IAQG (Grupo Internacional de Qualidade Aeroespacial), em média, aprovam apenas 40% dos candidatos.

A certificação da NBR 15100 pela Divisão de Certificação de Sistemas de Gestão do IFI gerava uma considerável receita ao governo.
Com a desacreditação, o governo passa a ser obrigado a contratar este serviço de empresas privadas, com custo muito superior.

O que é NBR 15100?
A NBR 15100, equivalente à norma AS 9100 (publicada pela SAE), tem a finalidade padronizar, na maior extensão possível, os requisitos para um sistema de gestão de qualidade para a indústria aeroespacial. Além dos requisitos listados na ISO 9001:2000, foram incluídos requisitos específicos do setor aeroespacial, necessários para assegurar a segurança, confiabilidade e qualidade dos produtos aeroespaciais.
Após três anos da certificação da empresa, o sistema necessita ser reavaliado de forma completa, para que a certificação seja renovada, conforme regras internacionais do International Acreditation Forum – IAF.

A importância do IFI
O Instituto de Fomento e Coordenação Industrial - IFI. presta serviços nas áreas de Normalização, Metrologia, Certificação, Propriedade Intelectual, Transferência de Tecnologia e Coordenação Industrial.

O IFI possui atualmente 240 servidores atuando em quatro divisões: Confiabilidade Metrológica, Desenvolvimento Industrial, Certificação de Sistemas de Gestão e Certificação de Produto Aeroespacial. É responsável pela proteção ao conhecimento, ou seja, toda pesquisa realizada no DCTA, gerando produto eleito a ser patenteado, é passado para que o IFI faça o devido registro da patente. Na área de Metrologia Aeroespacial, é responsável por gerir todo sistema de calibração no Comando da Aeronáutica.

Atua na Certificação de produtos Aeronáuticos e Espaciais e é órgão reconhecido internacionalmente pelo IAF, como Organismo de Certificação de Sistemas de Gestão da Qualidade. Na área de fomento, o Conselho Fazendário propõe convênios e incentivos de redução de ICMS (de 18% para 4%) para empresas de interesse do Comando da Defesa.
A lista das empresas que atuam nas áreas aeronáutica ou espaço merecedoras destes incentivos é elaborada pelo IFI. No site do instituto, declaram a visão do IFI: “ser reconhecido como uma organização de vanguarda e de referência internacional para o fomento do complexo científico-tecnológico aeroespacial”. Para que isso continue ocorrendo, o investimento em recursos humanos é urgente!

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