C,T&I segue sem investimentos e na contramão

C,T&I segue sem investimentos e na contramão

Terminamos a campanha salarial 2012 com resultados antagônicos. O Governo se negava a reajustar os salários corroídos pela inflação, mas teve que ceder à revolta do funcionalismo. Foi uma vitória de sabor amargo: no caso da Carreira de C&T o reajuste de 15,8% até 2015 não repõe nem as perdas da inflação oficial acumulada desde julho de 2009, ocasião do último reajuste.

A situação do funcionário público é ruim, a mídia ainda o responsabiliza pelo Custo Brasil, remontando à imposição neoliberal do estado mínimo. A sociedade brasileira, enganada, apoia estas ideias, ao mesmo tempo em que colhe as consequências do sucateamento do serviço público em todas as áreas. A estruturação da ciência, da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico representam a grande fronteira econômica dos tempos modernos.

O Brasil segue perdendo tempo quando não estrutura o governo para fomentar e controlar as iniciativas deste domínio, que são a origem das inovações transformadoras da sociedade. Os países que já trilharam este caminho querem impor suas soluções, vender os seus produtos e serviços e dificultar que mais países desenvolvam suas próprias tecnologias. Dois enormes programas atuais são emblemáticos destes jogos de interesse: a Alcântara Cyclone Space e o programa SGB. O programa de Satélites Geoestacionários se impõe pela falta de coragem e de visão do governo brasileiro, que não investe em seus institutos de pesquisa e não valoriza os seus cientistas.

A ACS é pior ainda, é um crime lesa-pátria, porque além de ser economicamente inviável, os potenciais impactos ambientais são catastróficos. Será “bom” se o Brasil perder apenas dinheiro. Nenhum destes programas gerará transferência de tecnologia, mas apenas atrelará o país à condição de dependência tecnológica. É pena, porque há muitos indicativos da qualidade dos nossos cientistas.

Neste número os leitores encontrarão antíteses: uma reportagem mostra a perseverança: mock-up do VLS é montado na nova TMI, enquanto o IFI pede desacreditação junto ao INMETRO devido à falta de pessoal. Convenhamos, não há inventividade ou criatividade que resista ao descaso de décadas. Pra piorar, quando um cientista ascende ao posto de Ministro de Estado de Ciência e Tecnologia ataca a principal instituição que o projetou, propondo mudanças na contramão dos interesses do desenvolvimento do país. Acordemos.

Ivanil Elisiário Barbosa
Presidente do SindCT

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