Nosso Trabalho

divisão do inpe ainda é meta de Raupp
Raupp não descarta possibilidade de dividir INPE e subordiná-lo à AEB


Raupp não desistiu de seu sonho: a criação de uma “NASA brasileira”. Divisão do INPE e sua subordinação à AEB estão cada vez mais próximos de ocorrer.

Por Fernanda Soares

No dia 25 de julho o SindCT promoveu um debate para tratar do futuro do INPE e sua iminente subordinação à Agência Espacial Brasileira – AEB.

Antes do debate, o SindCT disponibilizou em seu site uma minuta de decreto, que circulou para os servidores do instituto.
Datada de janeiro de 2012, a minuta foi entregue pelo ministro Raupp após muita insistência dos membros do Conselho Técnico Ciêntífico - CTC do INPE e do SindCT.

Um documento visivelmente ultrapassado e com erros, deixa claro que o ministro possui interesses sombrios a respeito do INPE e não quer debater o assunto com a comunidade.
Para o presidente do SindCT, Ivanil Elisiário Barbosa, “a forma como está caminhando o processo, através de Medida Provisória, poderá nos surpreender a qualquer momento e trazer danos irreversíveis”.

Gino Genaro, secretário de Formação Sindical do SindCT, demonstra indignação com a atitude do ministro. “A forma absolutamente sigilosa que isso vem sendo tratado causa estranheza. É difícil acreditar que o INPE inteiro saia do MCTI e vá para a AEB”, ressalta.

A condução de todo o processo de “reestruturação” do ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação também gera preocupações sobre o futuro dos servidores: “Continuarão na mesma carreira? “Haverá criação de nova carreira?” “No caso de uma nova carreira, como ficarão as regras de transição para aposentadoria?”

O debate
Compuseram a mesa dos trabalhos, além dos representantes do SindCT, Ivanil Elisiário Barbosa e Gino Genaro, o deputado federal Ricardo Berzoini e os membros do CTC Clezio de Nardin e José Ângelo Neri.

Neri afirmou que o CTC não é contra a reestruturação, mas acredita que o assunto deve ser estudado e discutido com a comunidade, pois as mudanças podem causar impactos no Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE. E também faz um questionamento: “Qual o objetivo da mudança?”

O deputado federal Berzoini, que já havia sido contatado por representantes do SindCT e alertado sobre os perigos da reestruturação no ministério, criticou a condução do processo. “O Estado não pode ter segredos, principalmente quando se fala na reestruturação de um órgão estratégico para o país.”

Gilberto Câmara, ex-diretor do INPE, esteve presente ao debate e foi ainda mais duro: “Essa discussão não tem mérito científico. Isso está acontecendo só para atender a um capricho do ministro Marco Antonio Raupp.”
Para Câmara, a reestruturação é uma forma de desviar recursos que seriam aplicados no INPE para a binacional Alcântara Cyclone Space – ACS.

Um outro questionamento bastante debatido foi a subordinação do INPE à AEB. Para os servidores, um instituto com tradição de 50 anos não pode ficar sob tutela de uma agência que não passa de um escritório burocrático em Brasília. “A AEB é uma cabeça vazia, uma alma penada procurando um corpo pra encarnar”, afirmou ironicamente Francisco Conde, ex-presidente do SindCT.

O que realmente há por trás da atitude do ministro, ao esconder a minuta de reestruturação, são hipóteses que não devem ser descartadas.
Sergio Rosim, diretor do SindCT, faz a cobrança: “queremos saber o que está acontecendo de fato”.

Deputado Berzoini defende INPE

Por Shirley Marciano

SindCT: Como o senhor vê a forma como vem sendo conduzida a proposta de reestruturação do INPE e AEB?
Dep. Ricardo Berzoini: Acredito até que seja possível discutir essa estrutura, mas não nos moldes como vem sendo articulada. Durante o debate e, antes mesmo, em conversas com o pessoal do sindicato e do CTC, entendi que ninguém é contra as mudanças, mas os servidores querem o que é muito legítimo, participar da discussão e ser informados sobre um assunto que lhes é salutar. Até porque não é possível ser contra o que se desconhece.

SindCT: Que sugestão o senhor daria como solução para equacionar essa situação?
Dep. Berzoini: Defendo um debate aberto e transparente, e estou empenhado em resolver a questão da melhor forma, visando sempre a valorização da história e da capacidade no campo da pesquisa atribuídas ao INPE. Tudo, claro, em consonância com aquilo que agrade o governo, que já demonstrou preocupação em aperfeiçoar os estudos em ciência e tecnologia no país.

SindCT: O senhor afirma ser governista. Essa discussão pode estar em desacordo com o ministro Raupp e, consequentemente, com as informações que chegam à presidenta Dilma. Como o senhor avalia essa situação?
Dep. Berzoini: De fato sou governista e defensor do governo Dilma, mas a melhor forma de ser governista é apontar para os melhores resultados. Se mostro um caminho melhor, certamente será ponto para o governo e poderá levar um possível assentamento dos interesses. E é exatamente isso que estamos fazendo aqui (no debate).

SindCT: Qual o próximo passo? E o que o senhor espera?
Dep. Berzoini: Vou levar a carta elaborada pelos servidores à presidenta Dilma e certamente ela dará a atenção esperada aos servidores sobre essa importante demanda desse instituto que possui tradição de mais de 50 anos e que merece todo o nosso respeito.

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