SindCT Entrevista

Pesquisa desenvolvida no INPE já está em fase final

Sensores podem revolucionar a prevenção de acidentes naturais

É com muito orgulho que a pesquisadora do INPE, Drª. Maria do Carmo de Andrade Nono, abre as portas do laboratório de pesquisas ambientais para mostrar à sociedade duas inovações tecnológicas.

Por Shirley Marciano

Suas inovações são o Sensor de Umidade de Solo, que poderá contribuir para evitar desastres naturais em virtude de chuvas, cheias de rios e enxurradas, e o Sensor de Umidade do Ar, que deverá ser utilizado no Sistema de Controle de Alertas - SCD do INPE.
O projeto dos sensores para aplicações ambiental e espacial é coordenado pela pesquisadora e servidora do INPE, Maria do Carmo de Andrade Nono, com graduação e mestrado em Ciências e Engenharia de Materiais, Doutorado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica e Pós-Doutorado em Engenharia de Materiais e Metalúrgica.
Seu braço direito no desenvolvimento dos sensores ambientais é o colaborador Dr. Rodrigo de Matos Oliveira – bolsista de pós-doutorado. Na área espacial é o Dr. Sérgio Luiz Mineiro, bolsista de pós-doutorado, quem contribui com as pesquisas.

Sensores de Umidade de Solo
Durante o verão brasileiro é muito comum a incidência de tempestades e, consequentemente, deslizamentos de terras em estradas ou próximo a moradias construídas em locais de morro e, quase sempre, sem planejamento urbano.

Pensando nisso, a equipe de Tecnologias Ambientais do INPE - Tecamb desenvolveu um sensor de cerâmica para medir o nível de umidade do solo. A intenção é que seja possível avisar as autoridades para conter os deslizamentos ou evacuar as áreas de risco.

Para medir a umidade do solo, os sensores são calibrados em conformidade com o tipo de solo. Em seguida, eles são inseridos nos montantes de terra.

Quanto maior a quantidade de sensores, melhor será o desempenho. Um grande número de sensoseres contribui para se obter maior precisão do nível de umidade.

Como funciona: quando a água é absorvida pela terra, após uma chuva por exemplo, os poros da cerâmica vão absorvendo as gotículas e os sensores enviam informações por meio de comunicação via wi-fi ou rádio para as centrais.
Dr. Rodrigo de Matos Oliveira, colaborador da Drª. Maria do Carmo, fez uma pesquisa de campo em Santo Antonio do Pinhal e comprovou, com sucesso, o funcionamento do sensor.

O sensor também poderá ser usado para monitorar a irrigação para que não haja desperdício de água. Tal aplicação tem também um viés social, como para o uso no semiárido nordestino brasileiro.

“Uma de nossas metas foi desenvolver um equipamento que tivesse baixo custo para que pudesse ter sua aplicação sem depender de grandes investimentos”, explica Drª. Maria do Carmo.

Sensor de Umidade de Ar
Os sensores para medir a umidade do ar, também de cerâmica, são colocados ao ar livre para capturar e medir o nível de concentração de umidade. As gotículas entram em seus poros e, como ocorre com os sensores de solo, enviam as informações por meio de comunicação a distância.

Atualmente os medidores de umidade existentes no mercado são feitos de polímero (plástico). Esse tipo de material é muito fácil de ser degradado no solo por materiais químicos ou pela ação dos raios solares, o que pode reduzir o seu tempo de vida e ocasionar falha nas informações que são geradas. Assim, um dos grandes diferenciais dos sensores de cerâmica, desenvolvidos pelos pesquisadores do INPE, é o tipo de material.

A cerâmica é muito resistente à ação do sol e também aos materiais químicos presentes no solo.
Atualmente, a equipe Tecamb conta com duas grandes linhas de pesquisa: o desenvolvimento tecnológico de materiais cerâmicos voltados para as aplicações nas áreas espacial e ambiental. Em ambos os casos, visa-se o desenvolvimento destes materiais baseando-se em Nanotecnologia.

O laboratório possui infraestrutura básica para o processamento das cerâmicas microestruturadas, porém ainda é insuficiente. De acordo com a pesquisadora, para o avanço em tecnologias de ponta são necessários novos investimentos para os trabalhos em nanotecnologia.

“Precisamos de mais investimento para que possamos completar a última parte do processo, que é desenvolver na indústria a parte eletrônica do sensor. Atualmente não temos financiamento para podermos completar o sensor”, finaliza, com pesar, a pesquisadora.

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