Editorial

FALTA de transparência preocupa SindCT
INPE tem futuro incerto

Governo segue intransigente em não conceder reajustes salariais aos servidores, apontando como justificativa principalmente a crise econômica mundial. Alega que o custo dos funcionários do Executivo Federal mais que dobrou desde o governo Lula. Entretanto, a realidade de muitas outras carreiras é semelhante à da C&T: isto ocorreu num contexto de arrocho que perdurou pelos dois mandatos FHC e mais de um de Lula, mais de 12 anos.
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, entoa bem a cartilha do governo ao afirmar que a soma das demandas é de R$ 92 bilhões! Deve ser isto mesmo, porque o governo não tem política de correção de perdas inflacionárias, o servidor não tem data-base. A Carreira de C&T já acumula três anos de perdas, o mesmo ocorrendo a outras carreiras.
Apesar das desculpas, a realidade é que se gasta apenas 30% da receita líquida com pessoal, há dez anos se gastava 52%. Tem dinheiro sim, mas contingenciado e comprometido com um super superavit primário de 155 bilhões! O movimento é legítimo e expressivo, mais de 20 mil servidores realizaram marcha em Brasília no dia 18 de junho, do Ministério do Planejamento – Bloco K, até o Palácio do Planalto, exigindo da Presidenta Dilma abertura de negociações. O Magistério Federal completa quase dois meses de greve, com paralisação de quase a totalidade das universidades e milhares de servidores seguem acampados na Esplanada dos Ministérios.
Em meio a esta agitação, o INPE aguarda apreensivo a secreta tramitação que altera sua estrutura e o subordina à Agência Espacial Brasileira – AEB. A falta de transparência no processo leva a todo o tipo de especulação e intranquilidade. Teme-se que as mudanças, completamente desconhecidas de sua comunidade, possam ser implementadas sem um amplo debate e que causem a sua desfiguração e desintegração.
O grande absurdo é que o agente protagonista deste descalabro seja a Agência Espacial Brasileira, em nome de uma falácia de melhorar a gestão do Programa Espacial Brasileiro, que é sem dúvida importante, mas não pode vir a se constituir em elemento desagregador.
Criado em 1961, o INPE é um dos mais tradicionais institutos de pesquisa, mundialmente reconhecido, presta inúmeros benefícios cotidianos à sociedade brasileira e não merece ser tratado com tamanho descaso e desrespeito.

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