O satélite GEO/Vant

O satélite GEO, o Inpe e a Visiona

Por Gino Genaro (*)

Foi assinado no último dia 29 de maio o acordo para criação da Visiona Tecnologia Espacial S.A., joint-venture entre a Embraer (51%) e a estatal Telebrás (49%). A nova empresa será responsável, de imediato, pela contratação do projeto e fabricação do satélite geoestacionário de telecomunicação, batizado de Br1Sat, a ser encomendado pelo Governo Federal e orçado em R$720 milhões.

O que chama a atenção na estratégia adotada pelo governo para a fabricação deste satélite é a decisão de se jogar toda a responsabilidade do projeto nas mãos de uma empresa privada especializada na montagem de aviões (Embraer), e da Telebrás (empresa estatal usuária do satélite a ser fabricado), deixando de fora do projeto o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão estatal com mais de 50 anos de experiência na especificação, projeto, fabricação e teste dos satélites já produzidos no País.

O argumento do governo para a exclusão do INPE deste projeto é o de que o Brasil precisaria lançar este satélite em um espaço de tempo muito curto (final de 2014), tempo dado ao País para que ocupe o espaço que lhe é reservado na órbita geoestacionária (região do espaço localizada na altura da linha do Equador a cerca de 36 mil quilômetros de altitude).

Como o INPE não possui o domínio da tecnologia associada à fabricação de um satélite desta complexidade, a alternativa adotada pelo governo foi a criação da nova empresa (Visiona), para assumir, com o apoio da PUC-Rio, a responsabilidade pela especificação da missão do satélite, bem como pela contratação de seu projeto e fabricação junto a empresas no exterior.

Além disso, a participação do INPE em futuros projetos também não está garantida. O presidente da Visiona, eng.º Nelson Salgado, afirmou que “a participação do INPE nos projetos futuros dependerá do risco de cada. Para Raupp o atraso é causa de órgãos públicos Há ainda outro aspecto desta estratégia a ser criticada.

O ministro Marco Antonio Raupp, da Ciência e Tecnologia, bem como seu amigo e presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, afirmam - com certa razão-que o Programa Espacial Brasileiro (PEB) padece de atrasos crônicos nos seus programas de satélites, debitando tal atraso, entretanto, ao fato destes programas serem tocados por órgãos públicos, como o INPE, e por contarem com pequena participação da iniciativa privada, diferentemente do que ocorre nos programas espaciais mais avançados, como o da agência espacial americana (Nasa).

Ora, tal afirmação não condiz com a realidade dos fatos. A participação da indústria nacional nos programas de satélites do País vem crescendo ano após ano, a ponto de praticamente 100% de todo o projeto e fabricação do satélite Amazonia-1, bem como da parte brasileira do satélite que o Brasil desenvolve com a China (CBERS), estarem sob responsabilidade de empresas privadas. Nem por isso, tais programas deixaram de amargar sérios atrasos em seus cronogramas. Portanto, definitivamente, a iniciativa privada não se constitui a panaceia para os males que assolam o PEB. É claro que a indústria privada nacional pode e deve contribuir para a execução do PEB, cabendo ao INPE, como parte de sua missão, transferir a estas empresas não apenas novas tecnologias, como parte dos contratos da área espacial.

A questão que se coloca é se o governo pretende continuar a utilizar o INPE como espaço de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias espaciais ou se pretende repassar apenas para a indústria privada tal atribuição.

A primeira hipótese exigiria um investimento muito maior em termos de recursos humanos e financeiros.

(*) Gino Genaro é tecnologista da área de controle térmico de satélites do Inpe e secretário de Formação Sindical do SindCT

O VANT está pronto! E agora?

A principal vantagem na utilização de VANT é a eliminação do risco de acidentes com a tripulação em casos de missões cansativas ou perigosas.

Por Fernanda Soares
O projeto VANT é da década de 80, porém, por falta de recursos, ficou parado por 14 anos. Foi realizado em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e a empresa Avibras, parceira industrial. Só começou a ser executado em 2004, quando a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) destinou ao projeto cerca de R$ 10 milhões.

O convênio com a Finep estabeleceu como objetivo do projeto o domínio de tecnologias sensíveis utilizadas em Veículos Aéreos Não Tripulados, através do desenvolvimento do Sistema de Navegação e Controle (SNC), permitindo sua utilização, com pequenos ajustes, em diferentes tipos de plataformas.

O Projeto VANT foi concluído em junho de 2010, tendo realizado 59 voos com sucesso. Um evento marcante foi a realização de navegação completamente autônoma com o segmento de um curso de rio. Também foi realizada uma trajetória seguindo desenho estilizado do mapa do Brasil.

Com a conclusão do projeto, a Avibras inicia a produção do VANT Falcão. Um veículo tático de reconhecimento e de vigilância totalmente nacional. A estrutura é feita em fibra de carbono, utilizando tecnologia e fabricação de última geração.

O gerente do projeto na Avibras, Renato Bastos Tovar, informou que o Falcão está configurado para carregar um equipamento eletro-óptico, capaz de fotografar e filmar em alta qualidade, tanto durante o dia quanto à noite, um radar de detecção de alvos móveis no solo e um link de satélites, com alcance de até 1.500 km.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Tovar afirmou que “o Falcão é o único VANT na classe de 800 quilos capaz de levar essa carga útil, de aproximadamente 150 quilos”. Já foram investidos no projeto R$ 60 milhões. O Governo brasileiro considera o desenvolvimento de VANTs uma das prioridades da nova política de defesa nacional.

O que é VANT?
Veículo Aéreo Não Tripulado é uma aeronave sem piloto a bordo. Pode ser helicóptero, avião, dirigível ou míssel de cruzeiro. O tamanho também é variado. Alguns cabem na palma da mão, outros pesam mais de 12 toneladas. O controle é feito por uma estação em terra. São normalmente utilizados em missões militares como reconhecimento, guerra eletrônica e patrulha marítima.

Em aplicações civis, podem ser utilizados no levantamento de recursos naturais, na inspeção de oleodutos, gasodutos e linhas elétricas e como enlace de comunicação para cobertura de eventos para TV. É uma importante ferramenta na identificação de áreas poluídas, no controle de queimadas e desmatamentos, na vigilância policial de áreas urbanas e de fronteiras e no acompanhamento de safras agrícolas.

Por serem não tripuladas, estas aeronaves são capazes de permanecer por longos períodos em voo, reduzindo os custos de operação e os riscos a que um piloto estaria submetido.

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