Aquecimento global em debate: tá quente ou tá frio?

Aquecimento global em debate: tá quente ou tá frio?

Há anos convivemos com o medo do aquecimento global. Governos e ambientalistas vêm afirmando que a humanidade deve parar de poluir o planeta, ou provocaremos uma catástrofe. A terra ficará muito quente, as geleiras derreterão e só escaparão os que estiverem protegidos nos altos das montanhas. Será que isso tudo é verdade? Há quem afirme exatamente o contrário. A realização da Rio + 20 é um bom momento para pensarmos sobre o assunto.

Por Claudia Santiago
A voz do físico e meteorologista Luiz Carlos Molion, pesquisador sênior aposentado do INPE e pesquisador do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas, vem sendo emitida já há alguns anos sem encontrar eco.

É uma voz dissonante. Para Molion, a teoria do efeito estufa é uma balela. Ele acredita que os dados divulgados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) são manipulados pelos países ricos para impedir os países em desenvolvimento de se tornarem desenvolvidos.

Em entrevista publicada no Diário do Pará, em 26-03-2012, Molion, que também é representante dos países da América do Sul na CCOMM (Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial), afirma que a teoria do aquecimento global e das mudanças climáticas foi concebida no início da década de 1970, pelos países ricos, como resposta estratégica ao primeiro choque do petróleo.

“A alta abrupta dos preços e a perspectiva do esgotamento das reservas mundiais – dizia-se, na época, que o mundo fi caria sem petróleo até o ano 2000 – levaram aqueles países a criar mecanismos que inibissem o consumo nas nações mais pobres”.

Em 2004 os países em desenvolvimento como o Brasil, a China e a Índia começaram a sofrer forte pressão para que estabelecessem metas de redução na emissão de gases. Em sua crítica o pesquisador não poupa as grandes ONGs, como a WWF, que estariam, segundo ele, a serviço de interesses econômicos contrários aos do Brasil.

Aquecimento, não. Esfriamento

Para os que, como Molion, contestam a previsão de aquecimento global, as mudanças climáticas são frutos de fenômenos naturais como a atividade do sol e dos oceanos.

Para estes, a Terra está esfriando e deve permanecer assim por mais duas décadas, o que poderá se tornar, isto sim, uma calamidade: uma tremenda onda de frio que atingirá as regiões que estão fora dos trópicos e que as fará necessitar de muita energia para não congelarem.

Energia que está concentrada, prioritariamente, nos países em desenvolvimento. O Brasil tem todos os tipos de energia disponíveis: água, biocombustíveis e materiais fósseis. Tudo em enorme quantidade.

Daí a centralidade desta discussão no nosso país. “Na minha opinião, o homem não tem condições de mudar o clima global.

O clima global é controlado principalmente pela atividade solar e pelo conteúdo de calor que está armazenado nos oceanos. O Sol vai entrar num mínimo de atividade, nos próximos 20 anos, e os oceanos já estão perdendo calor, conforme indicam medições de temperaturas que vimos fazendo por sistemas de boias ao longo dos últimos oito anos. Este é um processo cíclico que acontece há cada 70 anos.

Elas vão registrando dados de temperatura e salinidade, entre outras informações. Quando voltam à superfície esses dados são captados por sensores de satélite e transmitidos para os centros de estudos meteorológicos de todo o planeta.

E essas boias estão indicando que os oceanos vêm perdendo calor. Então, com o Sol entrando num mínimo de atividade e os oceanos se esfriando, a tendência para os próximos vinte anos é o resfriamento global, e não o seu aquecimento, como tem sido propalado”, afirmou na mesma entrevista ao Diário do Pará.

Frases de Molion na imprensa
O aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção”.

(UOL - 11/12/2009)
Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto as emissões
humanas representam 3%”.

(UOL - 11/12/2009)
A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares”.

(UOL – 11/12/2009)
O mar não está avançando. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global”.

(UOL – 11/12/2009)
O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo”. (Diário do Pará – 26-03-2012)

A teoria do Efeito Estufa
Há 40 anos a teoria do aquecimento global vem sendo debatida em praticamente todo o planeta

De acordo com os defensores da teoria do efeito estufa, as atividades humanas nos últimos 50 anos são as responsáveis pelo aumento da temperatura em até 5,8 °C, nos próximos cem anos.

Esse fenômeno, de acordo com especialistas e ecologistas, se deve à emissão na atmosfera de gases como o CO2 (dióxido de carbono), emitido pela queima de combustíveis fósseis.

É o que se convencionou chamar de efeito estufa. Por esta linha de pensamento, a terra se transformaria em uma grande estufa. Consequentemente, suas geleiras se derreteriam. Essa visão hegemônica levou governos a se mobilizarem para evitar o que parecia ser o caos.

Em 1988, ocorreu uma reunião entre líderes de países e classe científica, em Toronto, no Canadá. Em 1992, aconteceu no Rio de Janeiro a Eco-92. Na ocasião, 160 líderes de Estado assinaram a Convenção Marco Sobre Mudanças Climáticas e estabeleceram metas para preservar o clima. Em 1997, através do Protocolo de Kyoto, os países desenvolvidos, menos os Estados Unidos que se recusaram a assinar, se comprometam a reduzir a emissão de gases.

Compartilhe
Share this

testando