Alcoolismo, dependência química e rendimento escolar estão entre as preocupações do Serviço Social do DCTA

Alcoolismo, dependência química e rendimento escolar estão entre as preocupações do Serviço Social do DCTA

Por Fernanda Soares

São 40 anos de dedicação aos funcionários do DCTA. Dona Nilza, assistente social, começou a trabalhar no DCTA em 1972. Entrou como estagiária e, após se formar, foi efetivada. Seu primeiro trabalho foi no ITA. Realizava as entrevistas, fazia o levantamento socioeconômico, acompanhava os conselheiros e promovia o aniversariante do mês. Ajudava funcionários e alunos a enfrentarem os problemas pessoais ou familiares.

Uma vez ao mês, realizava um almoço de confraternização, do qual participava o diretor do DCTA na época, o brigadeiro Pedro Frazão. Foi observando dona Nilza nos almoços que o brigadeiro se encantou por seu trabalho e a convidou para que implantasse
a assistência social em todo o DCTA.

Nem os alunos e nem o reitor do ITA gostaram da notícia! Um abaixo-assinado para impedir a saída de Nilza foi promovido no ITA, até que chegaram ao acordo de que ela poderia sair desde que continuasse acompanhando o pessoal do ITA paralelamente ao novo trabalho a ser desenvolvido. Com o novo desafio pela frente, dona Nilza começou a fazer o levantamento das assistentes sociais que existiam no Centro,mas que não exerciam a profissão, e convidou-as a trabalhar. Elas realizavam plantão nos institutos. Não esperavam ser procuradas, iam até cada funcionário. Notaram que o relacionamento próximo deixava o funcionário mais feliz, e ele desenvolvia melhor seu trabalho.

A criação da Prososel
Os tempos eram difíceis. Esposas de oficiais e civis faziam um trabalho voluntário para ajudar as pessoas do DCTA que estivessem passando por dificuldades. Nilza organizou esse grupo em uma entidade: a Promoção Social Nossa Senhora do Loreto (Prososel). A Prososel realizava os eventos e as assistentes sociais cuidavam da parte técnica. O objetivo era ajudar as famílias com os problemas familiares, financeiros, saúde e até casos de dependência química.

As assistentes estavam sempre prontas para visitas familiares, fazer encaminhamento e acompanhamento médico, fornecimento de medicamentos. Quando se fazia necessário, formavam grupos para ensinar a família a conviver com um determinado problema. “Alguns problemas afetam a família toda, como o alcoolismo, por exemplo”, ressalta dona Nilza.

A importância do COPME
Ela lembra que houve uma época com muitos problemas de jovens abandonando a escola e utilizando drogas. Por este motivo, fundaram, através da Prososel, o Curso de Orientação Profissional para Menores (COPME). Os jovens passavam o dia todo no DCTA em atividades. Através de convênios, o Senai e Senac, ofereciam cursos profissionalizantes e aprendizado prático.

O jovem deveria também estar matriculado na escola, e a frequência às aulas era acompanhada pelas assistentes. Neste programa, atendiam cerca de 300 jovens por curso. Oferecendo a eles ½ ou 3/2 salário mínimo, de acordo com a idade. Muitos dos que passaram pelo COPME hoje são médicos, engenheiros, pesquisadores... “Alguns trabalham aqui no DCTA mesmo, nível técnico ou superior. Quando abriu concurso, muitos passaram”, conta a dona Nilza, com muito orgulho do trabalho realizado.

O Serviço Social do DCTA serviu de modelo para outros institutos. Nilza viajou para outras bases, apresentando o trabalho desenvolvido no centro, que serviu de modelo e foi implementado em outros lugares. Com uma fi lha e uma neta, Nilza afirma: “sou a que tem mais filhos no mundo aqui”.

Ela considera todos como seus filhos. E filho não tem hora para precisar da mãe. Seja domingo, feriado ou tarde da noite, ela está lá, pronta para ajudar. E no meio de toda essa atividade, ainda encontra tempo para participar da igreja. É ministra do dízimo e realiza palestras sobre casais e relacionamentos.

Aposentada, retornou às atividades através da ADC, onde participa da diretoria e acompanha seus “filhos”. Questionada sobre quando vai parar realmente de trabalhar, ela responde: “Minha vida é isto aqui. Eu adoro. Tive muitas vitórias, algumas derrotas.
Encontro todo tipo de problema. Mas não vou parar não”.

José Maria de Almeida quer se aposentar

José Maria de Almeida, 67, trabalha há 30 anos no DCTA. Conhecido por “seu Zé”, é casado, tem seis filhos e mora próximo ao local de trabalho, a Usina Coronel Abner, na zona rural de Jacareí.

Desde 1971, seu Zé trabalha em sítios e fazendas. Na última que trabalhou, conheceu pessoalmente o coronel Abner. “O patrão vendeu o sítio e o coronel Abner foi lá comprar gado. Ele me viu e perguntou o que eu iria fazer agora que o sítio tinha sido vendido. Eu falei que não sabia.

E ele me chamou para trabalhar aqui.” Brincalhão e amigo de todos, trabalha com serviços gerais e é um dos responsáveis pela manutenção e conservação da área da usina, onde é feita a produção de propelente sólido e o carregamento de motor-foguete para fins espaciais.

“A nossa obrigação é deixar a usina bonita.” E deixam! Sobre a primeira vez que assistiu a um teste realizado na usina, ele sorri e diz: “o primeiro dá medo. Achei interessante,
deu emoção. Parecia que o bicho ia sair dali.”. Já acostumado com o tal bicho, José agora divide o tempo cuidando de toda área verde, dos jardins, do lago, das árvores e removendo o mato de algumas áreas.

Algumas vezes, os cerca de 20 servidores da usina se reúnem para um churrasco no horário do almoço. “Isso é o mais bonito aqui.

Todos juntos no churrasco. Tanto tempo na usina, acaba se esquecendo da beleza natural que a cerca”. Mas, na hora da foto, a pose é ao lado dos coqueiros que ele cuida. Seu Zé já atingiu o tempo necessário para aposentadoria, mas não conseguiu comprovar seu tempo de atividade em área rural.

Diz que quer se aposentar por estar cansado, mas parece não querer abandonar tão cedo o lugar onde passou a maior parte da vida. “Aqui é muito bom. Não tenho o que reclamar daqui.”

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