Editorial

Sobre os ombros de Perondi pesam as expectativas da comunidade inpeana

Por Ivanil Elisiário

INPE e DCTA, protagonistas do Programa Espacial Brasileiro (PEB) e executores do PNAE, vêm sofrendo há décadas com: baixos investimentos, limitações da lei de licitação, escassez de recursos humanos e inconstante carreira profissional. O resultado é que o Plano Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), embora seja coerente e bem estruturado, é pouco respeitado, porque não se concretizaram mais do que 20% dos programas previstos desde a sua criação.

Esta é a justificativa dada pelo ministro Raupp para aprovar ações que transferem ao setor privado atribuições de gerenciamento e condução dos assuntos da tecnologia espacial. Empresas privadas são constituídas “main contractors”, com a missão de adquirir equipamentos e sistemas completos, de estrangeiros, sem transferência de tecnologia. É o caso que se configura na aquisição do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) para operar em 2014.
A Embraer será o “main contractor” em parceria com a Telebras. O INPE fica sem participação definida.

Atualmente, o Brasil não possui tecnologia para desenvolver um satélite geoestacionário, mas seria uma grande oportunidade fazer uma pesquisa em paralelo para começar a desenvolver o próximo satélite que tenha o mesmo objetivo. Outro exemplo gritante é a constituição da Alcântara Cyclone Space (ACS), sob a argumentação de prover o Brasil de acesso ao espaço.

Cabresto no INPE?
O ministro diz que o INPE necessita de um cabresto que o torne mais controlável pela AEB. Assim subordinado, caberia obedecer e executar as políticas elaboradas. “O INPE estar fora da AEB tem propiciado disputas que não são salutares ao PEB”, declarou à imprensa. Agora, temos novos atores: José Raimundo Coelho, na AEB; e Leonel Perondi, no INPE.

Sobre os ombros de Perondi pesam as expectativas da comunidade inpeana de que atue com liberdade, sem pressões da AEB ou do MCTI, na busca da revitalização do Instituto, em forma de investimentos, contratação de pessoas, recursos financeiros, projetos focados.

Que ele fomente o fortalecimento das Divisões, a descentralização de poder e o diálogo. O prestígio do INPE, conquistado pela competência e dedicação de seus servidores, deve ser defendido. O Instituto deve continuar figurando como principal protagonista operacional do PEB, juntamente com o DCTA. O novo diretor do IAE, brigadeiro Kasemodeo, tem que buscar a solução de problemas semelhantes: recomposição do quadro de pessoal e maiores investimentos para o projeto VLS. Sem investimentos adequados, o programa se torna peso excessivo para o Instituto.

Os royalties do Petróleo do Pré Sal serão muito bem vindos se compuserem uma decisão de governo de se elevar o desenvolvimento espacial à condição de estratégica e essencial para o país. Enquanto sonhamos com isso, vivemos a realidade: estrutura deteriorada, desmanche institucional, idade média avançada dos servidores aliada à falta de política de reposição, baixos salários e desmotivação geral.

Ivanil Elisiário Barbosa é presidente do SindCT

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