Brasil

ENSINO MÉDIO: só metade dos que ingressam conseguem concluir o curso

Brasil precisa de investimento em educação

Alto grau de evasão pode ser explicado por falta de estrutura e desvalorização do professor

Por Sheila Jacob

O número de jovens matriculados no Ensino Médio é um dado alarmante quando se pensa no panorama atual da educação no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2010 mostram que, dos 10,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos, apenas 50,9% estão no Ensino Médio.

E segundo o Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), dos 3,3 milhões que ingressaram em 2008 no 1º ano, apenas 1,8 milhões concluíram o 3º ano em 2010. Ou seja: são poucos os que conseguem entrar, e menos ainda aqueles que concluem.

Algumas abordagens sobre o assunto, além de transmitirem a responsabilidade para o aluno, acabam cobrando os professores e os próprios familiares por não incentivarem ou não acompanharem a vida escolar. Ou seja: acaba-se “culpando as vítimas do sistema educacional”, e não os principais responsáveis por suas mazelas, diz o educador Gaudêncio Frigotto, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Para ele, o que explica esse dado é o fato de a educação pública não ser prioridade para a classe dirigente, a qual está interessada apenas em perpetuar uma sociedade cada vez mais desigual.

O secretário da CNTE, Gilmar Soares Ferreira, concorda com essa avaliação. Segundo ele, 5% do PIB para a área é uma quantia pequena para garantir formação integral do aluno.

Esse valor não garante a infraestrutura das escolas, como laboratórios, biblioteca, ginásios etc. Também não é suficiente para valorizar o profissional da educação e dar boas condições de trabalho.

“O professor ganha mal, vai ter que trabalhar mais para se sustentar e acaba não tendo tempo de se relacionar com os alunos e de significar os problemas que ele traz para a sala de aula”, explica.

Professor valorizado gera educação de qualidade
No Rio de Janeiro, o colégio federal Pedro II e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), da Fiocruz, podem ser citados como exceções a esta regra, pois são instituições que apresentam mínimos índices de abandono.

E o que faz os alunos concluírem seus estudos? “Além da estrutura física, o professor possui total condição de trabalhar. Ele tem dedicação exclusiva e passa no máximo 20 horas em sala. Assim sobra tempo para pesquisar, atender o aluno e ouvi-lo.

Infelizmente 90% das escolas de Ensino Médio da rede pública não têm essas condições, pois se gasta quatro vezes menos com cada estudante do que o necessário”, analisa Gaudêncio Frigotto.

Ele lembrou que, na América Latina, o Brasil está atrás do Uruguai, Argentina e Peru, países que estão investindo mais em educação. “Do número de alunos que concluem o 2º grau e continuam estudando, a taxa brasileira é a metade da média da América Latina”, lembra o educador, lamentando o fato de o Estado brasileiro ser uma das maiores economias do continente, mas sem democratizar recursos e o próprio conhecimento.

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