DIA DA MULHER: um século de conquistas e muito ainda a fazer

As mulheres têm um longo caminho em busca da igualdade de direitos e deveres

Hoje, milhões de mulheres ainda lutam para serem reconhecidas e se reconhecerem como indivíduos históricos

Por Marina Schneider

O Dia da Mulher, nascido nos Estados Unidos, tem 104 anos. Em 2011 completou-se um século desde que a data passou a ser celebrada internacionalmente.

Mesmo após todos esses anos está claro que muitos outros “8 de Março” ainda terão que ser lembrados e comemorados mundo afora para que as mulheres consigam ser tratadas dignamente em casa, no trabalho, na escola, enfim, na sociedade.

O dia da mulher começou a ser celebrado em 1908, em Chicago, nos EUA. A data da comemoração anual deste dia, no mundo inteiro, foi decidida em agosto de 1910, na Conferência das Mulheres da Internacional Socialista, na Dinamarca.

Na ocasião não se marcou um dia único desta comemoração. Cada partido socialista marcava a data que quisesse em seu país.

A partir de 1911, o Dia da Mulher passou a ser realizado em vários países do mundo.

Em 8 de março de 1917, as operárias do setor de confecções de São Petersburgo, na Rússia, iniciaram
uma greve que foi o estopim da grande Revolução Russa. No ano seguinte, 1918, o 8 de março passou a ser a data do Dia da Mulher, nos vários países.


A dura realidade da mulher no Brasil

Poderíamos enumerar inúmeras situações de opressão, dominação e discriminação das mulheres, em nosso país. Vamos olhar apenas três situações típicas.


Violência contra a mulher.
No Brasil, segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente. Outra pesquisa, realizada pelo DataSenado, apontou que 66% das mulheres brasileiras acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou. Das entrevistadas, 98% disseram já ter ouvido falar na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), mas 68% ainda têm medo de denunciar as agressões.


Mais pobreza nas famílias chefiadas por mulheres.
A desigualdade entre homens e mulheres não está nítida apenas quando vemos os números da violência. Segundo os dados em análise na Coordenação de Igualdade de Gênero do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais da metade das famílias com fi lhos e que são chefiadas por mulheres (53%) são pobres. Das famílias com fi lhos chefiadas por homens, 23,7% estão nessa condição.


Trabalhos iguais e salários menores.
A diferença de salário entre homens e mulheres sempre foi uma luta do movimento sindical mundial, mas persiste até hoje. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged/Ministério do Trabalho) apontam que o salário inicial pago aos homens em 2010 foi, em média, R$ 113,30 maior que o vencimento pago às mulheres na admissão no emprego. Precisamos de uma revolução permanente Para combater desde as diferenças salariais até todas as formas de discriminação e opressão das mulheres é necessária que ocorra uma revolução permanente na estrutura política da sociedade e nos corações e mentes de homens e mulheres. Para que haja novos homens e novas mulheres que lidem uns com os outros de maneira respeitosa e digna é necessário empenho por mudanças profundas políticas e ideológicas nas bases da sociedade.


Um terço da mão de obra do INPE e do DCTA é feminina

Centenas de mulheres contribuíram e contribuem diariamente para o funcionamento do INPE
e do DCTA. Nos dois institutos, cerca de um terço dos funcionários na ativa são mulheres.

O DCTA possui
189 servidoras aposentadas e
310 servidoras na ativa.

O INPE tem
94 servidoras aposentadas
e 166 na ativa.

A técnica do INPE, Alice Ueda, acredita que no serviço público os casos de discriminação contra as mulheres sejam menores do que na iniciativa privada. Ela afirma que nunca sofreu nenhum tipo de discriminação no trabalho por ser mulher. “Nunca tive problemas. Aqui, se tivermos os requisitos de qualificação para trabalhar está tudo bem”, diz. “Somos concursados e, por isso, aqui, não há discrepâncias salariais entre homens e mulheres”, lembra.


Casa Abrigo é uma necessidade de São José

DÉCADA DE ESPERA:
15 mil assinaturas

Há mais de uma década movimentos de mulheres de São José dos Campos lutam pela abertura de uma Casa Abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica no município.

Há cerca de três anos a Defensoria Pública do Município perdeu uma ação na Justiça que reivindicava a construção do espaço e, mesmo após um abaixo assinado com mais de 15 mil assinaturas, a proposta continua estagnada.

O local serviria às mulheres vítimas de violência que não têm para onde ir, bem como para mães de crianças agredidas e seus filhos. Na casa, as mulheres abrigadas receberiam atendimento psicológico, social e assistência jurídica.

Para a vereadora de São José dos Campos, Amélia Naomi Omura (PT), uma das líderes desta luta, a Casa Abrigo é uma necessidade do município. “As mulheres que sofrem violência precisam de políticas públicas específicas. A Casa Abrigo está longe de ser a solução para o problema, mas é um instrumento importante de combate a este tipo de violência, pois permite que as vítimas se afastem dos agressores”, afirma.

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