Editorial

INPE: falta de respeito

Quase nove meses com diretor demissionário

Por Ivanil Elisiário Barbosa (DCTA)

Diretores do DCTA estiveram no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) no dia 12 de abril para tratar da abertura de vagas para o Departamento.

Especula-se algo em torno de 3200 contratações. A premissa básica de qualquer empresa ou projeto é a definição do recurso humano necessário ao cumprimento da missão.

Equívocos neste planejamento, associados à inconstância de recursos na quantidade e cadência apropriados, podem ser comparados à tênue fricção aplicada a um palito de fósforo: mesmo eternamente friccionado, ele não acenderá se não for fornecida energia no nível necessário.

O recurso financeiro dirigido ao VLS neste ano faz isto: ataca as necessidades periféricas porque não é suficiente para a execução das tarefas essenciais. No ITA se discute a ampliação do número de graduados, algo como duplicar o número anual de egressos.

Diz-se que o Instituto buscaria ajuda nas origens, no MIT. De lá vieram os primeiros professores, que trouxeram a semente da tradição. Ficariam agora orgulhosos com o filho, que, ao contrário daquele pródigo bíblico, se apresentaria maduro e cheio de realizações.

Dados de domínio público atestam que o faturamento da Embraer, empresa que nasceu do projeto IPD 6504 – Aeronave Bandeirante, conduzido pelos primeiros iteanos, daria para manter a instituição por quase mil anos.

Esta realidade histórica deveria convencer as autoridades de que o dinheiro empregado em C&T não é gasto, mas investimento de retorno garantido. Infelizmente ainda impera o obscurantismo, a timidez e o pouco caso.

Nesta edição do jornal questiona-se por que foi interrompido ou ignorado o desenvolvimento de três importantes tecnologias espaciais no Brasil: Sistema de Atitude e Órbita; Câmera Orbital MUX desenvolvida para o CBERS-3; e o SISMADEN, sistema essencial para alerta de desastres naturais? O INPE segue há quase nove meses com um diretor demissionário.

É o tempo de uma gestação humana. Basta! Exigimos do ministro Raupp respeito à comunidade e que troque logo o diretor antes que o tempo de gestação chegue a onze meses, por respeito ao companheiro, que de burro (gestado em 330 dias) não tem nada.

Ivanil Elisiário Barbosa é presidente do SindCT

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