CAPITALISMO: o poder do Estado norte-americano

EUA cancelam compra da Embraer para garantir empregos no Kansas

Estados norteamericanos foram os primeiros a dar calote em uma dívida externa

Por Claudia Santiago

No dia 28 de fevereiro, a Força Aérea dos EUA (USAF) cancelou um contrato de US$ 355 milhões, firmado com a brasileira Embraer, referente à compra de 20 aviões A-29 Super Tucano.

A decisão causou espanto no governo brasileiro e repercutiu em diversos órgãos de imprensa. O contrato inicial foi questionado na Justiça norte-americana pela concorrente Hawker Beechcraft, que saiu perdedora na concorrência.

Em nota à imprensa, a Embraer afirma ter apresentado toda a documentação exigida e afirma permanecer firme em seu propósito de oferecer a melhor solução para a Força Aérea dos EUA.

O motivo alegado para o cancelamento do contrato não tem consistência. Políticos ligados ao partido republicano e ao estado do Kansas vinham criticando a escolha da Embraer desde sua oficialização, em 30 de dezembro passado.

“A derrota da Hawker Beechcraft significaria a perda de empregos em Wichita, Kansas, cidade em risco de ver sua fábrica da Boeing fechada.

A opção da USAF pela Embraer havia se tornado também munição eleitoral contra o presidente Barack Obama.

O pré-candidato republicano Newt Gingrich criticara pelo menos duas vezes a escolha dos aviões da Embraer”, analisa Denise Chrispim Marin, correspondente do jornal O Estado de S. Paulo (29.02), em Washington.

Uma prática antiga: o Estado intervém

A mão visível do Estado americano mais uma vez mostra sua força quando se trata de defender os seus interesses.

Aliás, foram os estados americanos os primeiros a darem calote em uma dívida externa.

Para construírem os milhares de quilômetros de ferrovias que permitiram ao país fazer a marcha ao Oeste, na segunda metade do século XIX, os governos estaduais fi zeram empréstimos.

“Venderam ações, debêntures, títulos na bolsa de valores de Londres. Os principais compradores desses papéis eram ingleses e alemães.

Não eram os governos desses países, eram investidores que levaram o maior calote.

Alguns ficaram sem as economias que iam utilizar para sua aposentadoria”, explica o cientista político (Unicamp), Reginaldo Carmello de Moraes.

A dívida nunca foi paga.

Quando cobrado, o governo federal disse que não era com ele.

Para saber mais sobre o caminho do desenvolvimento nos Estados Unidos, ler http://www.inct-ineu.org.br/documents/EUA%20como%20pais%20em%20desenvolv...

Compartilhe
Share this

testando