SAÚDE EM ALERTA: usuários da saúde pública podem sair perdendo

Terceirização de serviços públicos não melhora atendimento

A terceirização das UPA’s de São José acaba com o atendimento humanizado e o vínculo de amizade entre pacientes, médicos e enfermagem

Eliete Guimarães e Fernanda Soares

São José adotou, desde administrações passadas, a política de terceirização de serviços públicos, alegando melhorar o atendimento à população.

Dentre os serviços terceirizados estão a merenda escolar, a faxina, os serviços de portaria, o Parque Vicentina Aranha e o Hospital Municipal.

A novidade agora é a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento – UPA’s.

Para o Sindicato dos Servidores Municipais de São José, a terceirização do Hospital Municipal não trouxe melhorias.

Terceirizado em 2006, apresenta piora nos atendimentos. Faltam remédios e materiais básicos como luvas, lençóis e agulhas para anestesia.

Viviane Castro dos Santos, paciente em busca de atendimento no dia 7 de março, disse que aguardava o resultado de seu exame de sangue há mais de 7 horas.

Ela já havia passado pela UPA do Parque Novo Horizonte e pelo Hospital Clínicas Sul nos dois dias anteriores.

Em nenhum dos locais teve atendimento rápido e nem solução para o seu problema.

“Se precisar de alguma especialidade de emergência, não tem. Estou com alergia e não há dermatologista para me atender”, disse.

No mesmo dia 7, Maria Piedade Paulo aguardava atendimento há mais de meia hora. “Estou com infecção urinária, mesmo assim, já sei que tão logo eu não saio daqui”.

Ao serem questionadas sobre as mudanças que ocorreram após a terceirização, a resposta foi a mesma: “depois que terceirizou, piorou”.

V i v i a n e faz um alerta: “quando estive na UPA a moça que atendia falou: ‘se vocês acham que está ruim, espera terceirizar, aí vai piorar mesmo”.

Ildemar Cavalcante Guedes é médico da prefeitura há 31 anos. Já trabalhou no Hospital Municipal da Vila Industrial e no Hospital Clínicas Sul.

Hoje, Dr. Guedes atende no Hospital do bairro Eugênio de Melo, que não é terceirizado.

“Não sinto dificuldade de trabalhar lá, no pronto socorro da Vila é difícil”, diz.

Número de médicos cada vez mais reduzido

O número de médicos na rede pública de São José vem sendo reduzido drasticamente.

Na campanha de 2008, o prefeito afirmou que havia 930 médicos na rede.

Hoje a cidade só tem 688.

Só nos últimos sete meses, mesmo com contratações, a cidade perdeu 25 médicos.

Isso é consequência dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho.

No último concurso público realizado pela Prefeitura para a contratação de alguns poucos médicos em 2012, dos nove cargos oferecidos, cinco tiveram baixa procura: neurologista (um candidato – uma vaga), psiquiatra (três candidatos – uma vaga), reumatologista (quatro candidatos – uma vaga), infectologista (sete candidatos – uma vaga) e Medicina Preventiva e Social, que não atraiu nenhum interessado e será cancelado.

“A grande dificuldade para contratar médicos é o salário muito baixo.

A única coisa que a gente recebe de reajuste desde que o PSDB assumiu é o gatilho, e eles já tentaram nos tirar isso”, contou Dr. Guedes ao Jornal do SindCT.

O vereador Wagner Balieiro, que tem acompanhado essa situação, encaminhou um pedido de informações, que será votado na Câmara Municipal, cobrando explicações da prefeitura e também as medidas para resolver essa situação mesmo tendo poucos recursos em caixa.

A cidade possui verba para aplicar na saúde “A prefeitura repassa mais de 100 milhões por ano ao Hospital Municipal.

Mas não sei como funciona a administração, os diretores da Organização Social que administra o hospital agem de acordo com seu ideário”, afirma Dr. Guedes.

De acordo com o Sindicato dos Servidores Municipais, ano após ano sobra dinheiro que foi aprovado para ser investido na Saúde, mas o prefeito Cury não quis usá-lo.

Só no ano passado, deixaram de ser aplicados na Saúde cerca de R$ 14 milhões.

Além de médicos, faltam também assistentes de enfermagem, enfermeiros e farmacêuticos

Além do número reduzido de auxiliares de enfermagem, enfermeiros e farmacêuticos, muitos desses especialistas estão sendo desperdiçados ao serem obrigados a fazer serviços administrativos e de recepção.

Muitos sofrem com o desvio de função.

Após denúncia do Sindicato, o Ministério Público abriu inquérito e está apurando o caso.

Onde reclamar:

A Prefeitura Municipal de São José dos Campos possui um setor específi co para registrar as reclamações.

O atendimento é feito pessoalmente, das 8h às 17h, na Rua Professora Maria Luiza de Medeiros, nº 92 - Vila Santa Luzia - em frente ao Paço Municipal.

As reclamações também podem ser feitas por telefone através do número 156 ou pelo e-mail: ouvidoriasms@ sjc.sp.gov.br.

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