DOENÇA DO TRABALHADOR: problema que aparece na aposentadoria

Casos de câncer ocupacional podem atingir 12 milhões em todo o mundo

O trabalho como fator de risco para o câncer é maior do que os relacionados ao álcool, à exposição excessiva ao sol e radiações.

Por José Roberto Sodero Victório*

A União Internacional contra o Câncer prevê que, em 2020, o número de casos de câncer ocupacional atinja 12 milhões em todo o mundo, um alerta importante com relação à doença.

Esse tipo de enfermidade tem chamado cada vez mais a atenção dos profissionais da segurança e da saúde do trabalhador, ao ponto de ter sido um dos principais temas do 9º Fórum Presença da Anamt da Bahia, em outubro de 2009, e do 14º Congresso Nacional da Anamt, ocorrido em Gramado, em maio de 2010.

Em 2002, seis milhões de pessoas morreram devido à doença.

O trabalho como fator de risco para o câncer é maior do que os relacionados ao álcool, à exposição excessiva ao sol e radiações.

De acordo com o Dr. Marco Antônio Rêgo, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), “raramente o câncer ocupacional é diagnosticado durante a atividade profissional, e sim quando o trabalhador já está aposentado”.

Dificuldade no diagnóstico Isso dificulta o diagnóstico da doença de origem laboral — que depende de uma análise ocupacional bem feita, lembrando que do ponto de vista clínico, anátomo-atológico e radiológico, esses cânceres não se diferenciam dos de outras origens.

Ainda assim, começa a haver maior atenção sobre o assunto. “São vários os fatores que aumentam a percepção da importância do câncer ocupacional.

Tem havido uma maior difusão das informações relacionadas à saúde do trabalhador, com a criação de diversos cursos, serviços e normatizações.

Além disso, os trabalhadores, em seus sindicatos, também estão mais atentos à questão da saúde.

Soma-se, também, o fato de muitos trabalhadores estarem mantendo suas atividades pelo período de latência do câncer, após os anos de exposição”, explica o Dr. Marco.

O trabalho por turno Segundo o médico do trabalho, os cânceres ocupacionais mais comuns são os de pulmão, de pele e do sistema linfo-hematopoiético.

Há outros mais raros, mas com grande especificidade para um determinado agente, como mesotelioma da pleura e amianto; angiossarcoma do fígado e cloreto de vinila; tumor de seios nasais e trabalho com poeira de madeira, cromo e níquel.

Há, também, um grande elenco de carcinogênicos — substâncias que facilitam o surgimento de câncer — que se associam a tumores específicos.

Ademais, existem estudos que preveem uma relação entre o revezamento de turnos de trabalho e o câncer.

Neste caso, a privação do sono pode causar distúrbios na regulação hormonal e imunológica, mais uma mostra de que a Medicina do Trabalho não pode ignorar os hábitos pessoais e privados no diagnóstico e tratamento das doenças laborais.

José Roberto Sodero Victório é advogado especialista em Direito do Trabalho, Administrativo e Previdenciário, doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais e assessor Jurídico do SindCT

Radiação ionizante: consequências para os humanos são muitas e variáveis Os efeitos tardios são difíceis de distinguir

Por José Roberto Sodero Victório

Segundo Fábio Antonio Schaberle e Nelson Canzian da Silva, do Departamento de Física, da UFSC, as consequências das radiações para os humanos são muitas e variáveis, dependendo dos órgãos e sistemas atingidos.

De um modo geral os efeitos são divididos em efeitos somáticos e efeitos hereditários. Os efeitos somáticos surgem de danos nas células do corpo, e apresentam-se apenas em pessoas que sofreram a irradiação, não interferindo nas gerações posteriores.

Alguns exemplos de efeitos somáticos imediatos produzidos por exposição radioativa aguda são: leucopenia, anemia, trombocitopenia, obstrução dos vasos, fragilidade vascular, l: secreções alteradas e lesões na mucosa do sistema gastrointestinal

Os efeitos tardios são difíceis de distinguir, pois demoram a aparecer e não se sabe ao certo se a patologia se deve à exposição radioativa ou ao processo de envelhecimento natural do ser humano.

A identificação dos efeitos tardios causados pelas radiações só podem ser feitos em situações especiais. Transmissão para os descendentes

Os hereditários ou genéticos surgem somente no descendente da pessoa irradiada, como resultado de danos por radiações em células dos órgãos reprodutores, as gônadas.

A ação das radiações no organismo humano produzem uma série de efeitos, que representam danos diferentes para cada região afetada.

Os tecidos mais sensíveis à radiação são os da medula óssea, tecido linfóide, dos órgãos genitais, os do sistema gastrointestinal e do baço.

A pele e os pulmões mostram sensibilidade média, enquanto que os músculos, tecidos neuronais e os ossos plenamente desenvolvidos são os menos sensíveis.

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