Brasil

BRASIL: o mundo todo admira

Na 5a economia mundial falta desenvolvimento social

Por Vito Giannotti

Em meados do século XX, o Brasil era conhecido como um “país de contrastes”. Muitas águas rolaram.

Passamos de 50 milhões a quase 200 milhões, deixamos de ser um país agrário para produzirmos, com tecnologia de ponta, milhões de carros, ônibus e aviões. Agora, o país é a quinta economia mundial.

Sim, deixamos de ser vistos, no mundo, como o país do samba e do futebol. Todo mundo diz que, aqui, quase não há desemprego e que a vida mudou. Sem dúvida, muita coisa mudou. Melhorou.

Mas estamos longe de um ufanismo barato que alguns teimam em cultivar. Sim, o salário mínimo está melhor que há duas décadas. Há mais empregos, mais escolas técnicas e por aí vai, mas continua o fosso entre o povo que vive do seu trabalho e a classe que vive do trabalho alheio.

O capital nunca ganhou tanto como nesta década.

A realidade é mais complicada
Ao mesmo tempo em que o governo festeja as saídas encontradas para a crise, as estatísticas do IBGE dão conta de que a metade dos brasileiros não conhece rede de esgoto.

Nasceram vários tipos de escolas, mas nosso índice de analfabetismo ainda é assustador: 15% absoluto e cerca de 50% de funcional. E o problema da moradia? Por que existiu a barbárie feita no Pinheirinho?

Cadê um programa de casas populares para as 1.700 famílias daquela “ocupação”? E os milhões que moram em favelas há um século? Qual a saída para estas pessoas?

Nossa Justiça ainda protege qualquer especulador, megainvestidor e grileiro, seja ele Nahas ou Cutrale. Para o povo, sobra a Tropa de Choque.

E o caso do estudante negro da USP agredido pelo simples fato de não ser branco? Racismo? Não, a Globo repete todo dia que no Brasil não tem disso não.

E põe seus “especialistas” a falar contra as cotas nas escolas. E nossos recordes? Campeões de assassinatos de mulheres e de homossexuais. E a dengue? E toda a saúde pública, como está? Sim, a economia mudou, mas ainda falta muito desenvolvimento social.

Nada de ilusões. Uma nova sociedade tem que ser construída pelos trabalhadores, a serviço do povo que vive do seu trabalho.

* Vito Giannotti é escritor, autor, entre outros, de História das Lutas dos Trabalhadores no Brasil e Muralhas de Linguagem

Compartilhe
Share this

testando