Nacional

Inovação Tecnológica é desafio para desenvolvimento da indústria nacional

Setor espacial tem papel determinante. As empresas são contratadas para realizarem pesquisa sob a orientação e supervisão dos pesquisadores e engenheiros do INPE

Por Redação SindCT

O Estado brasileiro enfrenta, hoje, a necessidade de aumento da competitividade das empresas brasileiras, utilizando-se da Inovação Tecnológica.

A forma mais eficiente de se atingir esse objetivo é realizar um “esforço de guerra” para que o setor empresarial realize intensamente atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) internas às próprias empresas.

Neste quesito, o setor espacial tem papel determinante porque as empresas são contratadas para realizarem pesquisa sob a orientação e supervisão dos pesquisadores e engenheiros do INPE.

As tecnologias desenvolvidas em instituições públicas de C&T atingem efetivamente a cadeia produtiva quando incorporadas pelo setor industrial e de serviços.

Quando isto acontece, possibilitam o aumento de produtividade, melhoria dos produtos, empregos, maior competitividade e benefícios à qualidade de vida da população.

Para compreendemos como chegamos a tal situação, é preciso analisar a política industrial brasileira ao longo dos anos.

Anos 60 E 70
As políticas industriais nos anos 60 e 70 resumiam-se a incentivos governamentais para a ampliação da infraestrutura industrial.

Anos 80
Os incentivos governamentais são reduzidos significativamente ao final dos anos 80 com a abertura de mercado.

Anos 90
A partir da metade dos anos 90, a situação agravou-se, pois, apesar da estabilidade monetária, houve por parte do governo uma desmobilização das instituições do Estado.

A consequência foi o agravamento da questão da competitividade das empresas brasileiras, principalmente com a aceleração dos fatores globais.

O paradigma nesse período consistiu na crença que a exposição das empresas nacionais à competitividade externa era suficiente para alavancar e, ao mesmo tempo, selecionar aquelas que conseguissem sobreviver ao conflito de menores preços e aumento de qualidade.

Anos 2000
No final dos anos 90, houve uma mudança por parte do governo com relação à forma de se encarar a política industrial.

Passa-se a compreender que a exposição à competitividade externa era necessária e, em muitos casos, inevitável, mas não suficiente para que as empresas brasileiras atingissem um patamar pelo menos razoável de competitividade global.

Medidas passaram a ser tomadas como a criação dos Fundos Setoriais e a discussão e elaboração da Lei de Inovação.

Contribuição do setor espacial
E o setor espacial, o que tem a ver com a Inovação Tecnológica?

A política adotada no setor espacial há alguns anos tem muito a contribuir, pois as empresas são contratadas para realizarem pesquisa e desenvolvimento internamente à própria empresa, sob a orientação e supervisão dos pequisadores e engenheiros do INPE.

Tomando-se o Programa CBERS 3/4 como exemplo, os seguintes subsistemas estão sendo desenvolvidos pela indústria nacional:

-Estrutura do satélite;
-painéis solares;
-subsistema de potência;
-transponder DCS;
-subsistema de telemetria e telecomando;
-câmera de alta resolução – MUX;
-câmera de largo;
-campo de visão – WFI;
-transmissor de dados de alta taxa;
-fabricação e teste dos computadores de bordo;
-gravador de bordo e antenas.

Dentre esses subsistemas, a câmera de alta resolução MUX merece destaque. É a primeira câmera com qualificação espacial totalmente desenvolvida no Brasil.

O modelo de voo acaba de ser concluído e testado e deverá ser instalado no CBERS 3, cujo lançamento está programado para o final deste ano.

A empresa Opto, com sede em São Carlos (SP), é a responsável de desenvolvimento dessa câmera. Além da MUX, a Opto também é responsável pelo desenvolvimento da câmera AWFI.

Essa câmera será a carga útil da missão Amazonia-1. A AWFI possui resolução espacial no solo de 40 metros e cobertura de 740 km.

É formada por três objetivas sofisticadas e produz imagens em quatro bandas espectrais simultâneas.

Para se ter uma noção do nível de sofisticação, cada linha de imagem do AWFI é formado por 18 mil pixels, ou seja, produz quatro imagens simultâneas nas respectivas bandas espectrais, com qualidade equivalente a 324 MPixels.

Inovação: a grande aspiração do setor empresarial
Estudos apontam que a Atividade Inovativa que gera maior capacitação tecnológica é a realização
de P&D interna porque possibilita de forma sustentável que a empresa possa ser competitiva tan-
to em produto, como em processos de produção.

Outro parâmetro importante quando se analisa essa questão refere-se à Intensidade Tecnológica, que mede a relação entre os investimentos em P&D realizados pela empresa e o seu faturamento.

Para realizar Inovação de Produto e de Processos, a empresa deve realizar pelo menos uma das seguintes Atividades Inovativas:

Realização de P&D pela própria empresa.

Aquisição de P&D realizada por outra instituição.

Aquisição e conhecimentos, por exemplo, com licenciamento de tecnologias.

Aquisição de máquinas ou equipamentos necessários à implementação de inovações de produto ou de processo.

Treinamento orientado para inovações de produto ou de processo.

Introdução das inovações tecnológicas no mercado.

Projeto industrial ou outras preparações técnicas para produção e distribuição.

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