Luta

INPE: um projeto em disputa

O que esperamos da nova direção do INPE

Com o INPE e o DCTA/IAE no olho de um furacão e muitos fatos impactantes e profundos acontecendo simultaneamente, a comunidade do setor aeroespacial se vê ansiosa quanto ao seu destino e ao das instituições que compõem o setor.

Por Fernando Morais*

São muitas as questões que nos preocupam. Vamos detalhá-las uma a uma:
1. A Alcantara Cyclone Space (ACS) faz uma concorrência absurda nos recursos do governo federal para os veículos lançadores de satélites.

2. A privatização dos satélites geoestacionários. Assim, o conhecimento específico e a tecnologia adquiridos para desenvolvimento correm o risco de serem descartadas pelo governo federal.

3. A indicação de Marco Antônio Raupp para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Raupp é um propagador da necessidade da privatização dos satélites geoestacionários e, consequentente, da exclusão do INPE e do IAE dos processos de tecnologias.

Todos estes fatos influem fortemente no destino das instituições e dos servidores do setor aeroespacial do governo federal. Há outro, porém, que também queremos tratar aqui: a lista tríplice que supomos conter o nome do futuro e ansiosamente aguardado novo diretor do INPE.

*Fernando Morais é servidor
do INPE e vice-presidente do SindCT

Novo diretor do INPE:
Seleção ou unção?
Ao longo dos últimos anos uma verdadeira guerra foi travada no interior do INPE, em diversos setores, quando conflitos de interesses prejudicaram profundamente a instituição.

Assistimos o atual e demissionário diretor mudar decisões acordadas, alterar regras de processos democráticos e desmontar departamentos ou setores da instituição, causando estrago imenso.

No processo de escolha para o novo diretor do INPE foi colocado o mecanismo de “comitê de busca”, a nosso ver, carente de transparência e princípios democráticos, mesmo com a escolha, pela comunidade, de um representante por ela indicado.

Embora o representante seja da mais alta confiança da comunidade inpeana, o processo em si não traz transparência e confiança.

A lista tríplice, secreta e velada, e o compromisso dos membros do comitê em não revelar métodos e nomes derrubam qualquer intenção de transparência, gerando dúvidas e suspeitas.

E agora José?
Escolhido (ou ungido?) o novo diretor, o que fazer?
O que a comunidade do setor aeroespacial espera dele?
1. Que seja democrático e descentralizador.
2. Que respeite a capacidade dos cientistas e especialistas, detentores de conhecimento e conhecedores profundos da instituição.
3. Que represente os anseios da instituição.
4. Que não permita encaminhamentos de caráter político que interferem no desenvolvimento científico e tecnológico e atrasam a evolução do setor.
5. Que encaminhe com firmeza seja no MCTI, seja no Planalto, a longa lista de necessidades do INPE, que contém, dentre outros, contratações, direitos trabalhistas e relação com outros institutos e organismos.

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