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INPA: orgulho da Amazônia

Bosque da Amazônia aproxima INPA da sociedade

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia tornou-se referência mundial em Biologia Tropical realizando estudos científicos do meio físico e das condições de vida da região amazônica

Por Jorge Lobato*

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) foi criado em 1952 e instalado em 1954 e vem, ao longo dos anos, realizando estudos científicos do meio físico e das condições de vida da região amazônica, contribuindo com informações relevantes sobre os ecossistemas amazônicos, particularmente quanto à origem, preservação e uso sustentável da biodiversidade.

Atualmente, o INPA é referência mundial em Biologia Tropical. Os programas de capacitação oferecem oportunidades para a formação de novos pesquisadores, bem como treinamento de servidores e apoio na participação de eventos científicos.

Hoje, o INPA possui mais de 500 bolsistas contemplados pelos vários programas e, aproximadamente, 800 voluntários, que desenvolvem atividades nas áreas de gestão e de pesquisa.

Frente ao desmatamento da Amazônia, são necessárias iniciativas para que o desenvolvimento possa ocorrer sem perda da biodiversidade, preservando os valores social, econômico e biológico da floresta.

Até o momento as iniciativas propostas não atendem a escala geográfica da Amazônia nem as demandas dos mercados nacionais e internacionais.

Embora o potencial valor dos produtos da biodiversidade, incluindo seus recursos genéticos, seja amplamente reconhecido, este valor ainda não foi mensurado e acaba tendo pouco peso nas tomadas de decisões. Em seus 50 anos, o INPA tem desenvolvido um grande número de estudos sobre a biodiversidade e os ecossistemas amazônicos, produzindo informações que mostram uma riqueza de espécies e uma complexidade de interações bióticas e abióticas extremamente sofisticadas.

INPA deve dar subsídios para orientar políticas públicas Esta complexidade contribui para a resiliência e resistência dos organismos às mudanças ambientais naturais e antrópicas e, portanto, demandam cada vez mais investigações.

Assim, um instituto das dimensões do INPA deve se destacar neste cenário como o mais apto a oferecer respostas à sociedade.

O INPA tem levado a termo diversas ações para investigar o efeito das mudanças causadas pelo homem sobre o meio ambiente e a interação que este em com o próprio homem.

Iniciando pelo estudo de vetores de doenças tropicais, passando por inventários, caracterização de ecossistemas, efeitos de poluentes sobre organismos, investigando o efeito de grandes projetos (hidrelétricas, exploração de petróleo, construção de estradas etc.) sobre a biodiversidade e o meio físico-químico da Amazônia, o INPA desenvolve estudos de pequena, média e larga escala que envolve desde uma espécie até ecossistemas inteiros.

Adicionalmente, também são realizadas pesquisas sobre produção de insumos e de proteína animal e vegetal, além do desenvolvimento de tecnologias apropriadas para o processamento e manejo dos recursos naturais como um todo, sempre com a preocupação da melhoria da condição humana e da conservação do ambiente.

No campo da inovação tecnológica, o INPA continua estimulando os pesquisadores a identificar entre os resultados de seus trabalhos produtos e processos inovadores passíveis de proteção por meio de patentes.

Os processos biotecnológicos gerados pelas atividades de pesquisa e ensino tais como fitofármacos, fitocosméticos, alimentos funcionais, processos moleculares, entre outros, proporcionam uma melhor utilização e conservação dos recursos genéticos da Amazônia.

Além disso, o INPA, assim como as demais comunidades científicas, compartilha das preocupações no que se refere ao aquecimento global e às mudanças climáticas.

A Amazônia tem sido considerada responsável por uma parcela expressiva da emissão de gases do efeito estufa. Tanto o desmatamento como qualquer alteração que possa ocorrer em sua biomassa representam aumento nessa emissão, bem como perda da biodiversidade.

Embora ainda recente, os estudos sócio-culturais passaram a ser um foco importante de atenção tanto nos aspectos da produção quanto no da difusão e socialização do conhecimento científico nos módulos de extensão e educação ambiental.

Nesse sentido, o INPA vem contribuindo gradativamente com subsídios para a elaboração de políticas públicas socioambientais e educacionais, além de estar cada vez mais atento às responsabilidades sociais da ciência.

Esforço na divulgação das informações científicas A extraordinária contribuição que o INPA pode proporcionar neste cenário é inquestionável, mas só poderá ser implementada quando a infraestrutura da instituição for adequada para recuperar sua plena capacidade de fazer pesquisas, difusão e socialização do conhecimento sobre a biodiversidade e a sustentabilidade do ecossistema amazônico frente às mudanças globais.

O Instituto tem desenvolvido um esforço significativo voltado à popularização das informações científicas e tecnológicas produzidas pelos grupos de pesquisas e resultados dos trabalhos de pós-graduação. Para isso, produz materiais impressos, como folhetos, cartilhas, manuais, catálogos, livros, cartazes, jogos educativos, entre outros, bem como a realiza oficinas, seminários, congressos e audiências públicas, etc.

A participação de profissionais do INPA na mídia tem sido fortemente intensificada, bem como inserção nas discussões técnicas para o estabelecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional.

Bosque da Ciência Como um dos instrumentos para difundir as informações científicas, tecnológicas e as inovações desenvolvidas e aproximar o Instituto da sociedade, o INPA criou, em 1994, o Bosque da Ciência.

Mais da metade da área de sua sede, no campus principal, foi destinado à visitação pública.

O espaço oferece à população uma nova opção de turismo e lazer, ao mesmo tempo em que estimula o interesse dos visitantes pela fauna, fl ora e questões ambientais dos ecossistemas amazônicos.

Em 2010, o Bosque da Ciência recebeu cerca de 108 mil visitantes. Em 2011, até o mês de outubro, mais de 115 mil visitas foram registradas.

As expectativas são de concluirmos o ano de 2011 com mais de 125 mil visitantes, um recorde de visitação no desde a sua criação do espaço.

*Jorge Lobato coordena o Bosque da Ciência do INPA e é diretor do Sindsep-AM

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