Cultura

VIDA CULTURAL no final do Vale

Aqui ao lado, em Guararema, uma escola diferente: a Florestan Fernandes

A meia hora de São José dos Campos está um centro mundial de formação profissional e social conhecido no Brasil inteiro e também na América Latina.

Por Vito Giannotti

Está aqui, encostada com a gente.

A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) foi inaugurada em janeiro de 2005 e seu nome é uma homenagem ao educador Florestan Fernandes, incentivador do trabalho coletivo, e permanente defensor do ensino público, gratuito e de qualidade para todos.

Ela foi idealizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para seus militantes e para todos os trabalhadores interessados em mudar este mundo.

É um elemento de formação da militância do MST e outras organizações que lutam por uma sociedade sem injustiças, livre e solidária.

A frase mais ouvida é a necessidade da construção de um projeto popular para o Brasil.

A escola promove cursos profissionais sempre acompanhados de fortes doses de formação político-ideológica voltados para os trabalhadores sem terra do Brasil e da América Latina.

Os mais diversos temas e professores

O MST calcula que já tenham passado pelas suas salas de aula mais de 6 mil estudantes em cursos de diversas áreas, como alfabetização, cooperativismo, saúde comunitária, técnicas e planejamento agroindustriais, e outros cursos de nível médio.

Os cursos de formação técnica são ministrados pelo Instituto Técnico de Pesquisa e Reforma Agrária (Iterra) e parceiros de universidades como Unicamp, Uerj, UFMG, UFPB entre outras.

Além disso, oferece cursos superiores e de especialização, em convênio com mais de 35 universidades, como Direito e Comunicação, e mestrado sobre Questão Agrária, por meio de convênio com a Unesp e a Unesco.

Há muitos amigos e simpatizantes da luta do MST que participam das atividades da ENFF como voluntários.

Após passar pela ENFF, os alunos voltam para a sua comunidade rural ou urbana e utilizam na prática o que aprenderam. Diferente desde a construção até os programas

A escola foi construída graças ao trabalho voluntário de cerca de 1.000 militantes dos movimentos sociais brasileiros que ajudaram a construí-la, cada um doando 60 dias de trabalho, ao mesmo tempo em que faziam cursos de alfabetização e supletivos ao longo da obra.

A filosofia da ENFF é um complemento da ação educativa do MST.

Desde a sua fundação, em 1984, o MST construiu 1.500 escolas públicas em assentamentos e acampamentos. Educou, a começar pela alfabetização, mais de 500 mil crianças, adolescentes e adultos.

Na Florestan Fernandes recebem-se muitas lições de trabalho, de luta e de vida.

Apoio de muitos amigos Muitos nomes famosos contribuíram financeiramente para a criação da ENFF.

Pessoas que querem um Brasil justo onde todos tenham direito a uma vida digna e onde acabe a secular divisão entre a Casa Grande e a Senzala.

Dentre estas personalidades conhecidas estão Sebastião Salgado, José Saramago e Chico Buarque. Há também um apoio de ONGs internacionais humanitárias ou religiosas como a Frères des Hommes, da Suíça, e a Cáritas, da Alemanha.

Mas a grande novidade foi, em 2009, a criação da Associação dos Amigos da Escola Florestan Fernandes.

Hoje há cerca de 1.000 amigos que contribuem financeiramente com valores variados, a começar por R$ 20, mas acima de tudo divulgam as atividades da Escola e participam de seus cursos como alunos ou professores.

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