Editorial

PLANO BRESSER: 17 anos de espera

Conquista é fruto da luta dos trabalhadores

Fechamos esta última edição do ano com o alegre fato positivo do pagamento de expurgos infl acionários do Plano Bresser, após 17 anos de demanda judicial.

É inexplicável esta morosidade, mais da metade dos servidores que compuseram o corpo demandante já se aposentou.

Por outro lado, os últimos servidores concursados nem se lembram daqueles tempos de inflação galopante, dos gatilhos de reajustes salariais e das lutas da classe trabalhadora pela integridade salarial.

Há que se separar o baixo valor percebido da vitória em si, que significa o quanto vale a organização da sociedade em grupos de representação.

É a validação do regime democrático, ainda que com suas limitações a serem vencidas. Outro aspecto evidenciado por este episódio diz respeito aos dramas que envolvem a consolidação de um país.

A agenda do Brasil pautou o domínio das tecnologias espaciais, mas não o prestigiou politicamente.

Isto fica patente ao se observar o número de servidores que estão sendo pagos. São 5.426 pessoas que, em abril de 1988, estavam diretamente ligadas ao desenvolvimento de satélites e foguetes, no INPE e no DCTA.

Decorridos 23 anos, este contingente de trabalhadores foi reduzido à metade e o Programa Espacial Brasileiro amargou atraso e timidez na condução dos projetos. Ao contrário do que muitos dizem, o Programa Espacial Brasileiro decolou, enfrentou com coragem os obstáculos e alcançou resultados expressivos no sentido da sua missão.

Descobriu que as dificuldades eram maiores do que se pensava e desanimou, adoeceu, empobreceu e entrou em ritmo de espera da aposentadoria.

Não é preciso mudá-lo radicalmente, nem apresentar planos mirabolantes para o futuro e tampouco importar técnicas avançadas de gestão.

Nada disso surtirá efeito se antes a sociedade não responder à questão fundamental: o Brasil quer ter autonomia no setor espacial? A se considerar o abandono e o desmonte evidentes, parece que não.

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