ATRASO no saneamento básico é chaga aberta

Metade das cidades brasileiras não tem coleta e tratamento de esgoto

O IBGE apresentou no dia 19 de outubro o Atlas de Saneamento 2011.

O documento revela números que não se justificam em um país que se encontra entre as dez maiores economias do mundo, gasta rios de dinheiro preparando-se para competições esportivas mundiais e é recordista em cirurgias estéticas, além de ser o segundo maior número de Ferraris e aviões particulares do mundo.

Por Claudia Santiago

Apenas 55,2% dos 5,5 mil municípios brasileiros contam com coleta de esgoto. Nos outros, a população sofre com doenças medievais como infecções gastrointestinais e diarreia.

No que toca ao tratamento do esgoto, a coisa é ainda mais grave.

Só 68,8% do total coletado passam por estações de tratamento. Em algumas cidades a coleta e o tratamento acontecem em apenas alguns bairros. Isso significa que mais da metade da população convive com rios, praias e riachos contaminados.

A tragédia maior está no Norte, onde apenas 13% das casas são servidas pela coleta do esgoto.

Número quase inversamente proporcional ao Sudeste. Aqui, 95% das cidades contam com o serviço. O Nordeste fi ca no meio, com índice 45%.

Os dados para cidades com tratamento de esgoto são piores: Norte (8%), Nordeste (19%), Centro-Oeste (25%), Sudeste (48%) e Sul (24%).

O estudo do IBGE afirma que “o saneamento básico é fundamental para a qualidade de vida, pois sua ausência acarreta poluição dos recursos hídricos, trazendo prejuízo à saúde da população, principalmente o aumento da mortalidade infantil”.

Ainda segundo o IBGE 6,4% das 12 milhões de pessoas que se afastam do trabalho por problemas de saúde no período de um ano o fizeram devido a infecções gastrointestinais.

A situação dos esgotos relaciona-se diretamente com as condições de saúde geral da população.

Ruas da Estrutural, a dez quilômetros do centro de Brasília (2008)

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