Ciência e Tecnologia - DCTA

O BRASIL na dianteira tecnológica do álcool

Motor a álcool foi criado pelo DCTA



Foto: Arquivo pessoal de Clóvis Michelan

Motor a álcool: produto do DCTA

Projeto totalmente desenvolvido no DCTA foi pioneiro no mundo. Hoje o Brasil é o único país a não utilizar o chumbo tetraetila na gasolina e a ter uma alternativa segura ao uso do petróleo

Por Fernanda Soares

O SindCT vai lançar ainda neste ano um livro sobre a história da criação do motor a álcool pelo DCTA . Uma história da qual vale a pena se orgulhar.

Desde 1919, quando o governo de Pernambuco publicou um decreto nomeando o álcool o combustível nacional, diversos pesquisadores brasileiros se dedicaram a desenvolver um motor automotivo adaptado para o uso do álcool.

Na década de 70, a Divisão de Motores do Departamento de Ciência e Tecnologia - DCTA iniciou as pesquisas adicionando álcool anidro à gasolina para ajudar o país a diminuir os gastos com a importação de petróleo.

Os resultados das pesquisas não poderiam ter sido melhores.

O principal benefício foi a substituição definitiva, pelo álcool anidro, do chumbo tetraetila, em junho de 1977.

Este é um produto cancerígeno usado para aumentar o poder de octanagem da gasolina. Esta descoberta acarretou também na diminuição da emissão de gases tóxicos.


DCTA: descobertas e transferência de tecnologia

A boa aceitação do álcool pelos motores incentivou os pesquisadores, que já defendiam o álcool como combustível, a converter, como experiência/ teste inicial, dois automóveis particulares, de engenheiros do próprio DCTA.

Defendendo a ideia do motor a álcool, o DCTA conseguiu o apoio da Chrysler, que cedeu um Dodge Polara para as pesquisas. A partir desse, um Gurgel e um Fusca também foram convertidos.

Os três primeiros veículos oficialmente convertidos fizeram parte da Caravana da Integração Nacional, que percorreu quase 8.000 km pelo Brasil, para demonstrar a eficiência e viabilidade dos motores.

Com o sucesso da caravana, frotas experimentais de veículos estatais foram constituídas.

A primeira estatal a encomendar os veículos movidos a álcool foi a Telesp: 400 fuscas foram convertidos.

A Telesp foi considerada grande aliada do projeto, pois encaminhava relatórios de uso dos veículos e relatava pequenos problemas que surgiam.

Em 19 de setembro de 1979 foi fi rmado o acordo de intenções entre a Associação dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) as filiadas Volkswagen, Mercedes Benz, General Motors, Saab-Scania, Chrysler, Toyota, Puma e Gurgel. Todas se comprometeram a adaptar a linha de montagem para a produção de veículos a álcool.

O DCTA também foi responsável por transferir para as montadoras a tecnologia necessária para a conversão dos motores e pelo credenciamento de retíficas para realizar a conversão dos veículos da população. Esse projeto, totalmente desenvolvido no DCTA, foi pioneiro no mundo.

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